KTM: Brasil é mercado-chave na recuperação após resgate da Bajaj
Brasil é estratégico na recuperação da KTM, diz Bajaj

A KTM escolheu Brasil, México e Filipinas como os primeiros mercados a implementar a estratégia global de recuperação após o resgate financeiro promovido pela Bajaj Auto. A informação foi confirmada por Rakesh Sharma, diretor da joint-venture formada pela Bajaj, durante evento na última segunda-feira (9), quando a Bajaj anunciou que assumirá as operações comerciais da KTM e da Husqvarna no País.

Brasil como prioridade

Segundo Sharma, esses três países foram selecionados por seu potencial de crescimento e pela estrutura já existente da Bajaj. A iniciativa prevê o compartilhamento de estruturas comerciais, pós-venda, logística e desenvolvimento de rede entre as marcas, preservando a identidade e o posicionamento independentes da KTM e da Husqvarna.

“É um dia histórico. Não apenas para o Brasil, mas para a KTM e para a Bajaj em nível global”, afirmou Sharma durante a coletiva de imprensa.

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Expansão da Bajaj no Brasil

A escolha do Brasil reforça a importância da operação local para o grupo indiano. Em pouco mais de três anos de atuação direta no País, a Bajaj alcançou cerca de 60 mil motocicletas vendidas, construiu uma rede com 73 concessionárias e se consolidou entre as maiores marcas do mercado nacional. Nas vendas acumuladas do ano, a Bajaj aparece na sexta posição, com 1,54% de participação de mercado, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A empresa informou que pretende chegar a 90 lojas até o fim deste ano.

Como a Bajaj salvou a KTM

O executivo detalhou pela primeira vez os bastidores da operação que garantiu a sobrevivência da KTM. De acordo com Sharma, a fabricante austríaca enfrentou uma combinação de fatores que levou à deterioração de sua situação financeira, incluindo o colapso do mercado de bicicletas elétricas após a pandemia, a retração dos segmentos de motos esportivas premium na Europa e nos Estados Unidos e a alta das taxas de juros nos principais mercados globais.

A situação se agravou em 2024, quando a KTM passou a enfrentar dificuldades para honrar compromissos com fornecedores. Em novembro daquele ano, a empresa recorreu à justiça austríaca para conduzir um processo de recuperação supervisionada. Segundo Sharma, os credores aceitaram receber cerca de 30% dos valores devidos, reduzindo significativamente a dívida da companhia. Ainda assim, era necessário um aporte imediato para evitar a liquidação da marca.

Foi nesse momento que a Bajaj decidiu assumir o protagonismo. O grupo organizou um financiamento de 800 milhões de euros, dos quais cerca de 600 milhões foram destinados ao pagamento dos credores. O valor foi transferido apenas um dia antes do prazo final determinado pela justiça austríaca. “Se o dinheiro não fosse pago, a KTM seria vendida em partes e declarada falida”, afirmou o executivo.

Participação acionária e integração

Com a operação concluída e após a aprovação dos órgãos reguladores europeus, a Bajaj passou a controlar 75% da KTM, tornando-se sua principal acionista. Apesar da participação majoritária, Sharma afirmou que a estratégia não é transformar a KTM em uma extensão da Bajaj. “O valor da KTM está em sua própria filosofia, em sua própria cultura e em sua expertise. Não queremos ‘bajajizar’ a KTM”, disse.

A ideia é aproveitar a estrutura global da fabricante indiana para aumentar a eficiência operacional da marca austríaca. No Brasil, isso significará o compartilhamento de áreas como vendas, marketing, peças, serviços, desenvolvimento de rede e logística.

Planos para o Brasil

Segundo Waldyr Ferreira, CEO e presidente da Bajaj do Brasil, a entrada das motocicletas street da KTM terá papel fundamental nesse processo. “A KTM está entrando em uma nova era. Queremos acelerar a expansão, aumentar o portfólio e tornar a marca ainda mais relevante no mercado brasileiro”, afirmou.

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Além da integração comercial, a KTM também prepara uma nova fábrica em Manaus (AM). A produção será realizada em uma unidade independente da operação Bajaj, mas compartilhando estruturas de apoio e logística para gerar ganhos de escala. Para a Bajaj, a combinação entre a força da KTM no segmento premium e a rápida expansão da operação brasileira pode transformar o País em uma das principais vitrines da nova fase da fabricante austríaca.