Brasil busca barrar tarifas de 25% dos EUA em audiências em Washington
Brasil busca barrar tarifas de 25% dos EUA em audiências

Representantes de empresas brasileiras e entidades setoriais participam, a partir desta segunda-feira (6), de audiências em Washington, nos Estados Unidos, em um esforço para impedir a adoção de tarifas de 25% propostas pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR). O principal argumento é que, além de prejudicar negócios no Brasil, a taxação elevará custos para empresas e para o consumidor americano, além de reduzir investimentos e empregos no país.

Abimaq defende que taxação afeta indústria americana

Pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Patrícia Gomes, diretora de Comércio Exterior da entidade, vai defender que mais de 80% do comércio bilateral do setor ocorre entre companhias coligadas — matriz e filial — e que a taxação afetaria a própria indústria americana em setores como infraestrutura e energia. “Em componentes para a produção nos EUA, seria difícil fazer uma substituição rápida (de importações), dando oportunidade a outros países como a China”, afirmou.

A importação de máquinas e equipamentos do Brasil pelos EUA somou US$ 3,2 bilhões em 2025, com superávit de US$ 1,2 bilhão para os americanos. Número que, segundo Patrícia, mostra que a taxação não se justifica.

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CNI e WEG contestam tarifa adicional

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), representada pelo embaixador Roberto Azevedo, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), vai questionar a tarifa adicional de 25%, argumentando que a medida não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico e que o Brasil tem avançado nos temas sob investigação do USTR. Pelos cálculos da entidade, mais de 35,2% das manufaturas exportadas pelo Brasil seriam alvo de novas tarifas.

A WEG (WEGE3), cuja subsidiária americana é a segunda maior fabricante de motores elétricos dos EUA, leva à audiência o presidente de sua filial estadunidense, Peter Barry, que vai citar os 2.300 colaboradores da empresa nos EUA e sua integração a cadeias de energia, indústria e infraestrutura. Outro argumento da empresa é que a tarifa “reduziria a competitividade da economia americana e prejudicaria os trabalhadores, sem promover os objetivos da investigação ou corrigir as práticas que ela busca combater”. No mês passado, a WEG fechou contrato para fornecer cerca de 600 motores ao Thacker Pass, unidade de processamento de lítio em construção em Nevada com US$ 2,23 bilhões em financiamento do Departamento de Energia americano.

Unica aponta falhas no relatório do USTR

Pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral vai apontar falhas no relatório do USTR, inclusive em relação à lei americana e às exigências da OMC. “Mas também em relação às exigências da OMC, aos dados que não foram considerados, principalmente os de desmatamento, que estão desatualizados”, disse.

Bauducco destaca investimento e geração de empregos

A Bauducco vai centrar sua argumentação na nova fábrica de US$ 200 milhões inaugurada pela subsidiária americana da empresa na Flórida no mês passado, segundo documento de solicitação para testemunhar na investigação. A unidade dobra a capacidade de produção da companhia nos EUA, concentra toda a linha de wafers em um único local e deve gerar 600 empregos em plena capacidade, além de reduzir custos e prazos ligados à importação de insumos. Com base nesse investimento, o CEO Stefano Mozzi vai pedir exclusão dos produtos da empresa do tarifaço por três a cinco anos, argumentando que a taxação resultaria em menos investimento, menos empregos e mais custo para o consumidor americano.

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Abimci e setor de café buscam isenções

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) vai destacar que metade das exportações brasileiras do setor vai para os EUA, supridas principalmente por florestas plantadas com manejo sustentado e sistemas de rastreabilidade. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), representado por seu diretor-geral, Marcos Matos, vai buscar manter a isenção tarifária para o café verde brasileiro e ampliar a lista de exceções da Seção 301 para incluir o café solúvel — estratégia construída junto com a National Coffee Association (NCA), entidade da indústria cafeeira americana que apoia a posição brasileira. “O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, enquanto os Estados Unidos são o maior consumidor. Quando surgiu a perspectiva de tarifas sobre o café brasileiro, a inflação do produto chegou a ser oito vezes maior que a inflação média americana”, afirmou Marcos Matos.

Rochas ornamentais e agricultura também se posicionam

A Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Controrochas), pelo vice-presidente Fábio Cruz, vai levar argumento semelhante: o Brasil fornece insumo essencial para a indústria americana de rochas ornamentais, que depois transforma e distribui o produto — quem pagaria a conta seria o consumidor dos EUA. Segundo a entidade, cerca de 85% das pedras naturais consumidas pelos americanos são importadas, e um quarto desse volume vem do Brasil, principal fornecedor.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumenta que as críticas às tarifas preferenciais, ao acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento não têm respaldo em evidências econômicas nem nas regras da OMC, defendendo solução por cooperação bilateral. A Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) sustenta que os avanços do Brasil no combate à pirataria e na redução do tempo de análise de patentes tornam desatualizado o diagnóstico do USTR.