O bacalhau, tradicional ingrediente da culinária europeia, está se tornando um artigo de luxo. Em algumas peixarias do continente, o preço do peixe já alcança quase 50 euros o quilo, impulsionado por oferta limitada, custos crescentes da pesca e valorização do produto selvagem. A alta expressiva tem feito consumidores repensarem seus hábitos e buscarem alternativas mais acessíveis.
Oferta restrita e custos elevados pressionam o preço
De acordo com especialistas do setor, a redução das cotas de pesca impostas por órgãos reguladores europeus, aliada ao aumento dos custos operacionais — como combustível e mão de obra —, tem limitado a oferta de bacalhau selvagem. Além disso, a valorização do produto como item gourmet contribuiu para a escalada de preços. Em Portugal, um dos maiores consumidores per capita, o bacalhau salgado seco, antes acessível, agora é considerado item de ocasiões especiais.
Consumidores optam por substitutos mais baratos
Diante dos preços elevados, muitos consumidores europeus estão migrando para alternativas como escamudo (pollock), alabote (halibute) e outras espécies de peixe branco. "O bacalhau sempre foi um símbolo da nossa cozinha, mas a realidade é que hoje ele se tornou um produto de luxo. Muitas famílias estão substituindo por opções mais em conta", afirma Maria Silva, peixeira de Lisboa, em entrevista ao jornal Época Negócios. A mudança nos hábitos de compra reflete a transformação do bacalhau em um bem acessível apenas em datas comemorativas.
Impacto no mercado e perspectivas
A tendência de alta nos preços do bacalhau não deve se reverter no curto prazo, segundo analistas. A combinação de estoques reduzidos, demanda estável e custos logísticos elevados mantém a pressão sobre o produto. Enquanto isso, a indústria pesqueira busca alternativas sustentáveis, como a aquicultura de bacalhau, mas a produção ainda é insuficiente para atender à demanda. Para o consumidor, a saída imediata tem sido explorar outros peixes que ofereçam sabor e textura semelhantes a preços mais baixos.



