Turista colombiana acusada de racismo na Rocinha já deixou o Brasil
Turista colombiana acusada de racismo deixou o Brasil

A turista colombiana denunciada por supostamente fazer um gesto racista contra capoeiristas durante uma apresentação cultural na Rocinha, na Zona Sul do Rio, já havia deixado o Brasil quando o caso chegou à polícia. A informação foi confirmada ao EXTRA neste sábado (30) pelo delegado Mário Jorge Ribeiro de Andrade, titular da Delegacia da Rocinha. Segundo ele, a mulher teria retornado à Colômbia um dia após o episódio e antes mesmo do registro da ocorrência.

Detalhes da investigação

De acordo com o delegado, a turista embarcou de volta para a Colômbia na quarta-feira, enquanto o registro da ocorrência só foi feito na quinta-feira, ou seja, depois de ela já ter saído do país. A Polícia Civil agora tenta confirmar oficialmente a identidade da mulher. Foram expedidos ofícios à companhia aérea e à Polícia Federal para verificar se ela estava na lista de passageiros do voo apontado pela investigação.

— Vou apurar essa e outras informações que consegui, como, por exemplo, o nome dela, junto à Polícia Federal — disse o delegado.

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Próximos passos

Questionado sobre os próximos passos da investigação caso a identidade da turista seja confirmada, o delegado informou que pretende recorrer aos mecanismos de cooperação internacional para colher o depoimento da suspeita. O caso é investigado como injúria por preconceito.

O episódio

De acordo com a coluna de Alcelmo Gois, a denúncia foi feita por integrantes de um grupo de capoeira que se apresentava para turistas em um ponto conhecido como "Acorda Capoeira", na Rocinha. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento em que uma mulher tenta colocar uma banana dentro da sacola utilizada para arrecadar contribuições do público após a apresentação.

Segundo os capoeiristas, a mulher fazia parte de uma excursão formada por 14 turistas colombianos que visitavam a comunidade. O capoeirista Rhian Gerônimo Martins da Silva, conhecido como Nescau, relatou que inicialmente não compreendeu o gesto.

— De imediato eu não entendi nada, ninguém entendeu nada. Depois foi caindo a ficha. Vi o país dela, que tem esses casos de racismo, e uma estava olhando para a outra e tirando sarro. Ficamos sem reação, tentando entender o que estava acontecendo — afirmou ao g1.

Outra gravação mostra a turista deixando o local sorrindo. De acordo com Nescau, ela ainda tentou tirar uma foto com ele após o episódio.

Reação do guia

O guia Jefferson Barros, que acompanhava o grupo, afirmou ter sido alertado pelos capoeiristas logo após a apresentação.

— Eu não acreditei que ela fez isso. Chamei o grupo para descer e sair do local. Expliquei para ela que aquilo era uma ofensa, um ato de racismo, um crime — relatou ao g1.

Posicionamento da empresa

Após a repercussão do caso, o grupo Na Favela Turismo, responsável por passeios em comunidades cariocas, divulgou nota repudiando o episódio. A empresa afirmou acreditar em um modelo de turismo de base comunitária, pautado pelo respeito aos moradores, à diversidade e ao território.

Outro caso recente

Em janeiro deste ano, a advogada argentina Agostina Páez foi filmada fazendo gestos de macaco e ofensas racistas contra funcionários de um bar em Ipanema após uma discussão sobre a conta. O caso teve forte repercussão porque a Justiça determinou a apreensão do passaporte dela, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país durante a investigação. Em fevereiro, o Ministério Público do Rio apresentou denúncia formal por racismo. Mais tarde, a Justiça autorizou que ela respondesse ao processo na Argentina, após o avanço das investigações.

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