Refugiados e imigrantes contribuem mais do que custam ao Brasil, diz ACNUR
Refugiados contribuem mais do que custam ao Brasil

Um estudo inédito do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) revela que refugiados e imigrantes contribuem para a economia brasileira mais do que custam aos cofres públicos. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (15), analisou dados fiscais e de consumo de 2010 a 2023 e concluiu que, em média, cada refugiado ou imigrante contribui com R$ 1.200 a mais por ano em impostos do que recebe em benefícios e serviços públicos.

Impacto fiscal positivo

De acordo com o levantamento, os refugiados e imigrantes que vivem no Brasil pagaram, em 2023, cerca de R$ 2,5 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais. Enquanto isso, o custo com serviços públicos como saúde, educação e assistência social para esse grupo foi de aproximadamente R$ 1,8 bilhão, resultando em um saldo positivo de R$ 700 milhões para o Estado.

O estudo também aponta que a maioria dos refugiados e imigrantes está em idade produtiva: 78% têm entre 18 e 50 anos. Além disso, a taxa de emprego formal entre eles é de 62%, superior à média nacional de 56% no período analisado. "Os dados mostram que a integração econômica dessas pessoas é um investimento que retorna para a sociedade", afirmou o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli.

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Perfil dos contribuintes

Os refugiados e imigrantes analisados pelo estudo são majoritariamente de países como Venezuela, Haiti, Colômbia e Angola. Cerca de 55% são homens e 45% mulheres. As principais áreas de atuação incluem serviços, comércio e construção civil. A pesquisa também destacou que 30% dos refugiados possuem ensino superior completo, contra 18% da população brasileira.

"Este estudo desmistifica a ideia de que refugiados e imigrantes são um fardo para o sistema público. Na verdade, eles geram receita e dinamizam a economia local", disse Torzilli. O levantamento utilizou dados da Receita Federal, do Ministério da Economia e de secretarias estaduais de fazenda.

Contribuição além dos impostos

Além do impacto fiscal direto, o estudo aponta que refugiados e imigrantes contribuem indiretamente ao empreender e gerar empregos. Em 2023, cerca de 12 mil negócios foram abertos por imigrantes no Brasil, gerando aproximadamente 30 mil postos de trabalho formais. "Esses empreendedores trazem inovação e conectam o Brasil a mercados internacionais", completou o representante do ACNUR.

O estudo também sugere que políticas de integração, como a validação de diplomas e cursos de português, podem ampliar ainda mais a contribuição econômica desse grupo. Atualmente, o Brasil abriga cerca de 1,2 milhão de imigrantes e refugiados, segundo dados da Polícia Federal.

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