O Movimento Aliados, entidade organizadora da 21ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Jundiaí (SP), está questionando a decisão da prefeitura que negou o pedido de uso da Avenida Nove de Julho para o evento, marcado para o dia 27 de setembro. A prefeitura informou que analisa cada solicitação individualmente e mantém diálogo aberto com os organizadores.
Negativa baseada em impacto viário
Segundo despacho da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMMT), assinado em 18 de junho, o pedido de interdição da Avenida Nove de Julho foi indeferido com base em levantamento técnico de impacto viário. O documento cita que a via é rota de deslocamento de viaturas policiais, ambulâncias e do Corpo de Bombeiros – cuja sede fica próxima ao trecho pleiteado –, registra média de 830 veículos por hora aos domingos e compõe itinerário do transporte público municipal e intermunicipal.
Como alternativa, a prefeitura sugeriu a Avenida União dos Ferroviários, apontada como via com "histórico consolidado" para eventos de grande porte.
Alegação de tratamento desigual
A entidade alega que a mesma via já recebeu a Marcha para Jesus e que o evento religioso ocorrerá no local este ano, no dia 14 de novembro, com concentração a partir das 15h, exatamente no local solicitado pela parada. O Movimento Aliados cobra "igualdade de tratamento" entre as manifestações. A situação ganhou repercussão após o prefeito Gustavo Martinelli (União Brasil) publicar apoio ao evento religioso em suas redes sociais.
Em nota, o Movimento Aliados afirma ter participado de reuniões com a prefeitura e apresentado plano técnico para garantir segurança e acessibilidade durante a parada. A entidade diz receber a negativa "com muita preocupação" e reforça que a disputa não é contra a Marcha para Jesus. "Se um evento de grande porte pode acontecer na Avenida Nove de Julho, entendemos que a Parada também deve ter esse direito, desde que cumpra os mesmos critérios estabelecidos pelo poder público", afirma Tiana Cauton, presidente do Movimento Aliados.
Apoio parlamentar
Segundo a nota, o mandato da deputada federal Erika Hilton (PSOL) passou a acompanhar o caso, com apoio também da ativista Sofia Favero.
Posição da prefeitura
A Prefeitura de Jundiaí informou que todos os pedidos de interdição de vias para eventos são analisados individualmente, considerando critérios técnicos de mobilidade urbana, segurança pública, transporte coletivo e garantia de serviços essenciais. "Como alternativa, é sugerida a realização dos eventos na Avenida União dos Ferroviários, que reúne melhores condições operacionais e gera menor impacto ao sistema viário", diz a nota, que afirma permanecer "aberta ao diálogo com os organizadores para buscar soluções que permitam a realização dos eventos de forma segura".



