Trump admite pressão na Fifa para anular cartão vermelho de Balogun na Copa
Trump admite pressão na Fifa para anular cartão de Balogun

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu ter pedido pessoalmente ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, a revisão do cartão vermelho aplicado ao atacante americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo. A intervenção gerou forte reação no mundo do futebol, com acusações de interferência política na entidade máxima do esporte.

Trump assume responsabilidade

Em declaração à imprensa, Trump afirmou: "Fui eu quem os convenceu a fazer isso". Ele disse que não pediu a suspensão da punição, mas apenas uma revisão. "Tudo o que fiz foi pedir uma revisão", declarou. Apesar disso, o cartão vermelho foi anulado e Balogun pôde jogar contra a Bélgica, partida que os EUA perderam por 4 a 1, sendo eliminados do torneio que sediam.

Fifa quebra regras próprias

A Fifa proíbe interferência política em seus estatutos, mas a decisão de cancelar o cartão vermelho foi tomada sem precedentes, já que as regras da Copa não permitem recursos contra cartões vermelhos. A entidade divulgou um comunicado de 871 palavras sem esclarecer os motivos. Infantino rejeitou sugestões de interferência, afirmando que a comissão disciplinar é independente.

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O ex-técnico do Liverpool, Jurgen Klopp, criticou a medida: "Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre si, é uma loucura. Isso coloca tudo em dúvida."

Relação próxima entre Trump e Infantino

Infantino, que preside a Fifa desde 2016 e concorrerá à reeleição em 2027, cultivou uma relação próxima com Trump. Durante o sorteio da Copa, Trump recebeu o Prêmio Fifa da Paz, criado por Infantino. Na ocasião, Infantino disse: "O senhor sempre poderá contar, Sr. Presidente, com o meu apoio, com o apoio de toda a comunidade do futebol, para ajudá-lo a trazer paz e prosperidade ao mundo todo."

O grupo de direitos humanos FairSquare apresentou queixa ao comitê de ética da Fifa, alegando violação da neutralidade política. Em maio de 2025, 50 deputados do Parlamento Europeu enviaram carta ao comitê exigindo providências, sem resposta até o momento.

Uefa se opõe à decisão

A Uefa manifestou forte oposição à anulação do cartão, classificando-a como "uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável". A entidade europeia afirmou que a Fifa "cruzou uma linha vermelha". O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, liderou um protesto em maio de 2025, quando delegados europeus abandonaram sessões do Congresso da Fifa.

A Uefa também convidou o árbitro somali Omar Artan, que teve sua entrada nos EUA negada, para apitar a Supercopa da Uefa, em 12 de agosto. Além disso, destacou que os ingressos da Euro 2028 são mais baratos que os da Copa do Mundo.

Infantino mantém apoio majoritário

Apesar das críticas, Infantino conta com amplo apoio de federações ao redor do mundo. A Conmebol (10 países), a Confederação Africana de Futebol (54 nações) e a Confederação Asiática de Futebol (47 países) já declararam apoio à sua reeleição, totalizando 111 votos, mais que os 106 necessários para vencer. Infantino foi reeleito sem oposição em 2019 e 2023.

O programa Fifa Forward financiou projetos de futebol em todo o planeta, e a expansão da Copa para 48 seleções deu oportunidades a nações como Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão. A Fifa espera arrecadar US$ 9 bilhões este ano, financiando esses projetos com receitas de torneios e ingressos.

O ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, escreveu no X: "O futebol jamais deve se tornar um espaço para o poder político." Blatter foi substituído por Infantino em 2016 após escândalo de corrupção.

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