O ex-presidente Michel Temer relembrou um jantar em Nova York, ocorrido em setembro de 2017, pouco mais de um ano após o impeachment de Dilma Rousseff, com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o encontro, que aconteceu na véspera da abertura da Assembleia-Geral da ONU, Trump surpreendeu os presentes ao perguntar, sem rodeios: “Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?”.
Constrangimento entre líderes latino-americanos
Segundo Temer, a pergunta gerou um constrangimento generalizado entre os líderes presentes, que incluíam representantes da Argentina, Colômbia e Panamá. Em entrevista ao Estadão, o ex-presidente brasileiro descreveu as reações: “Cada país respondeu que estava tentando tratar a situação com vias diplomáticas”. Eles ressaltaram que, embora não admitissem o regime de Nicolás Maduro, muitos mantinham bom relacionamento com a Venezuela e seu povo, lembrando ainda que o país já havia sido suspenso do Mercosul.
Discurso oficial e recuo diplomático
Em seu discurso oficial durante o jantar, Trump reforçou que os EUA estavam prontos para agir contra a ditadura de Maduro. No entanto, na conversa reservada com os presidentes latino-americanos, ele concordou que o melhor caminho era a via diplomática. Temer utilizou esse episódio para traçar um paralelo com a situação atual, especialmente em relação à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
Conselho a Lula: amenizar palavras
Na visão de Temer, quando Trump faz afirmações agressivas, é preciso responder com cautela: “Se respondermos agressivamente aqui, vamos piorar a relação”, afirmou ao Estadão. Embora não converse com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o impeachment de Dilma, Temer disse que, se pudesse dar um conselho, seria exatamente o de “amenizar as palavras” nas trocas com o governo americano. Ele lembrou que, mesmo após quase nove anos daquele jantar e das sinalizações feitas em Nova York, Trump ordenou a invasão na Venezuela.



