Múcio se reúne com subsecretário de Defesa dos EUA sobre terrorismo
Múcio e subsecretário dos EUA discutem terrorismo

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reuniu-se nesta quarta-feira (8) com o subsecretário de Defesa para Assuntos de Política dos Estados Unidos, Elbridge Colby, durante a XVII Conferência de Ministros de Defesa das Américas (CMDA), em Cusco, Peru. O encontro ocorre em meio aos desdobramentos da decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Reunião bilateral solicitada pelos EUA

Segundo nota do Ministério da Defesa brasileiro, a reunião foi solicitada pelos Estados Unidos. Colby, principal assessor do secretário de Defesa Pete Hegseth para política de defesa nacional e relações internacionais, abordou a cooperação no combate ao narcotráfico. Os EUA afirmaram que "buscam parceiros no continente para atuar nesse combate e disseram que veem no Brasil um grande parceiro em potencial".

O ministro José Múcio demonstrou interesse na parceria, mas ressaltou que o combate ao narcotráfico no Brasil é prerrogativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Múcio embarcou para Cusco na terça-feira (7), horas após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada.

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Sanções econômicas e alerta no Itamaraty

A medida dos EUA passou a valer em 5 de junho. Na semana passada, o governo Trump aplicou a primeira rodada de sanções econômicas contra alvos suspeitos de ligação com o PCC, incluindo dois brasileiros, três empresas baseadas no Brasil e uma empresa portuguesa. As sanções foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano.

Em manifestação à Câmara dos Deputados, o Ministério das Relações Exteriores citou, por duas vezes, o risco de uma ação militar dos EUA no Brasil após a classificação do CV e PCC como terroristas. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, respondia a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES).

Convocação de Mauro Vieira e reação dos EUA

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta quarta-feira (8) a convocação do chanceler Mauro Vieira para prestar esclarecimentos. Em nota enviada ao g1 na terça-feira (7), um porta-voz do Departamento de Estado classificou como "absurda" a avaliação do Itamaraty de que a decisão poderia abrir espaço para uma ação militar norte-americana no Brasil. O governo americano afirmou que está adotando medidas com base na própria legislação para combater os grupos brasileiros.

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