O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou em entrevista à GloboNews que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para impor novas tarifas ao Brasil não possuem legitimidade. O chanceler expressou esperança de que as respostas brasileiras às acusações de práticas comerciais ilegais e uso de trabalho forçado sejam consideradas nas negociações com a Casa Branca.
“Fornecemos todas as informações necessárias. Esperamos que tudo isso seja levado em conta e que fique comprovado que não há motivo para sermos alvo de tarifas, pois todos os argumentos apresentados foram refutados por nós, demonstrando sua ilegitimidade”, afirmou Mauro Vieira.
Na quarta-feira, 3, em Paris, o chanceler brasileiro se reuniu com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo Vieira, Greer manifestou disposição para dialogar sobre as novas taxações.
Na segunda-feira, 1º, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após concluir a investigação da Seção 301, que apura supostas irregularidades no comércio bilateral entre Brasil e EUA. Entre os alvos americanos estão o Pix, o desmatamento ilegal, medidas anticorrupção brasileiras, a taxação do etanol e a preservação da propriedade intelectual que impactam os Estados Unidos.
No dia seguinte, o USTR propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre o Brasil, alegando falhas no combate ao comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. Outros 59 países também foram afetados pela medida.
As tarifas ainda não estão em vigor, com prazo até 6 de julho para negociações. Nessa data, está prevista uma audiência para ouvir representantes brasileiros e americanos antes de uma decisão final.



