EVIAN-LES-BAINS, FRANÇA/DUBAI – Estados Unidos e Irã divulgaram na quarta-feira o texto de um acordo provisório assinado por seus presidentes para encerrar a guerra, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando retomar os ataques caso o Irã não cumpra seus compromissos.
Detalhes do acordo
Trump, participando do G7 na França, também retirou uma de suas razões para atacar o Irã, dizendo que seria 'injusto' impedir Teerã de ter mísseis balísticos. O acordo de 14 pontos estende o cessar-fogo de abril por mais 60 dias, incluindo o Líbano, para negociação de uma trégua final.
Trump afirmou: 'Vamos bombardeá-los até não poder mais se violarem o acordo. Não quero que façam isso. Quero que honrem o acordo.' Ele chamou os iranianos de 'pessoas inteligentes', enquanto negociadores trabalham em uma trégua permanente nos próximos 60 dias, esperando trazer paz ao Oriente Médio e reduzir os preços do petróleo.
Reações e consequências
Líderes iranianos não abordaram as novas ameaças, celebrando o momento com fotografias do que seria o primeiro acordo assinado por presidentes dos EUA e do Irã desde 1979. O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse: 'Tudo o que buscávamos por meio de ação militar, obtivemos várias vezes mais por meio de negociação.'
O acordo inclui o descongelamento de bilhões de dólares em ativos iranianos. A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, matou mais de 7.000 pessoas, elevou os preços da energia e gerou preocupações sobre crise alimentar.
Termos do memorando
- Fim imediato da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano
- Retomada total do tráfego marítimo 'sem cobrança' no Estreito de Ormuz
- Levantamento do bloqueio dos EUA aos portos iranianos
- Suspensão das sanções norte-americanas contra o Irã
- Descongelamento de ativos iranianos
- Fundo de investimento de US$ 300 bilhões para reconstrução pós-guerra
Os preços do petróleo caíram na quarta-feira com perspectivas de reabertura do Estreito de Ormuz, com o Brent abaixo de US$ 80, mas recuperaram após ameaças de Trump.
Compromissos iranianos
O Irã se compromete a não fabricar armas nucleares e a 'diluir' no local seu estoque de urânio enriquecido sob supervisão da AIEA, rejeitando a retirada do material do país.
Apesar da retórica combativa, Trump parece ter alcançado pouco do que disse querer. O governo iraniano permanece no poder, seu urânio não foi entregue, mísseis não foram destruídos e o apoio a milícias continua.
Reações internacionais
Líderes do G7 saudaram o acordo em Evian-les-Bains. O porta-voz iraniano, Esmaeil Baghaei, duvidou de uma cerimônia formal de assinatura na Suíça, afirmando que os presidentes já assinaram. Os líderes europeus nunca endossaram a guerra sem autorização da ONU e temem que o Irã tenha ganhado influência.
Os combates no Líbano diminuíram, mas não cessaram. Israel, que não participou das negociações, mantém o direito de usar a força.



