Nesta segunda-feira, Claudia Villafañe, viúva de Diego Maradona, participou do programa matinal "La Cucina Rebelde", da TV Argentina, vestindo a mítica camisa do famoso gol de mão contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986. Por trás do que poderia ser apenas uma homenagem, há uma histórica polêmica sobre a autenticidade da blusa.
Leilão recorde e contestação familiar
Em 2022, a camisa foi vendida em leilão pela casa Sotheby's pelo valor recorde de 7,14 milhões de libras (cerca de R$ 44,5 milhões na época), tornando-se o item esportivo mais caro já leiloado. No entanto, a família de Maradona contestou a autenticidade, afirmando que aquele não era o item original, mas sim o uniforme usado no primeiro tempo da partida – quando nenhum gol foi marcado.
Dalma Maradona, irmã do ex-craque, declarou em 2022 à Radio Metro, da Argentina: "Sei perfeitamente que ele (Steve Hodge) não tem. Meu pai me disse: 'Como vou dar a camisa da minha vida para ele?' As pessoas que participarem deste leilão devem saber que é uma camisa importante, mas é a do primeiro tempo que acabou sem gols. Para mim, não tem valor".
A versão de Claudia no programa
No "La Cucina Rebelde", Claudia Villafañe exibiu o que seria a camisa original do segundo tempo, destacando detalhes que, segundo ela, comprovam a autenticidade: manchas na gola e o escudo bordado artesanalmente. Como a Argentina não possuía um uniforme reserva naquela Copa, foi necessário improvisar às vésperas do jogo contra a Inglaterra, que usaria branco. "Ela tem duas tonalidades diferentes de azul, o número é prateado e eles não tinham os escudos bordados. Então as próprias mulheres que trabalhavam na concentração, que limpavam o local, preparavam a comida e faziam de tudo, costuraram os escudos da forma que puderam", afirmou Claudia.
A história de Steve Hodge
Após a vitória argentina por 2 a 1, o inglês Steve Hodge – que deu a "assistência" involuntária para o gol de mão ao tentar cortar a bola – pediu a camisa a Maradona nos túneis do Estádio Azteca. Hodge guardou o presente por quase 40 anos. Em sua autobiografia, intitulada "Steven Hodge, o homem com a camisa do Maradona", ele conta que a troca foi casual: "Quando terminou o jogo, alguns companheiros queriam a camisa de Maradona. A princípio nem pensei nisso. (...) Nos olhamos, e ofereci minha camisa, como que lhe pedindo a troca. Ele disse que sim com a cabeça, e pronto".
Maradona, no entanto, não ficou com a camisa de Hodge; no vestiário, trocou-a por uma do inglês Gary Lineker, que seu colega Oscar Garré havia pego.
Autenticação da Sotheby's
A Sotheby's, responsável pelo leilão de 2022, garantiu a autenticidade da camisa vendida, apresentando um trabalho comparativo de bordados e outros detalhes que comprovariam ser o uniforme do segundo tempo. Apesar disso, a polêmica permanece adormecida até a recente aparição de Claudia, que não fez menção ao leilão durante o programa.
Hodge, que inicialmente hesitou em vender a camisa, cedeu após ver os valores alcançados por uma camisa de Pelé em 1970. O item ficou exposto em museus por duas décadas antes de ir a leilão. Em seu livro, ele afirma: "É o grande momento de minha carreira, uma lembrança do melhor futebolista que jogou este esporte".



