Venezuelanos em SP sofrem com falta de notícias de parentes após terremotos
Venezuelanos em SP sem notícias de parentes após terremotos

Quase duas semanas após os terremotos que destruíram centenas de edifícios e mataram 3.535 pessoas na Venezuela, venezuelanos que vivem em São Paulo enfrentam noites sem dormir devido à incerteza sobre o paradeiro de seus familiares. A falta de comunicação com as áreas afetadas agrava o sofrimento de expatriados como Luigina de Martino e Sami López, que organizam doações e apoio remoto enquanto aguardam notícias.

Angústia e espera

Luigina de Martino, natural de Caracas, mora em São Paulo há cinco anos. Desde os tremores, ela tenta contato com sua mãe e irmãos, sem sucesso. "Ligo dezenas de vezes por dia, mas as linhas estão mudas. Não sei se estão vivos ou mortos", desabafa. Sami López, também venezuelano, busca informações sobre primos que moravam em Valência. "O silêncio é ensurdecedor. Só quero saber se estão bem", afirma.

Dificuldades de comunicação

As equipes de resgate continuam as buscas entre os escombros, mas a infraestrutura de telecomunicações foi severamente danificada. Muitas regiões permanecem isoladas, dificultando o contato com parentes. Segundo a Defesa Civil venezuelana, mais de 12 mil pessoas ficaram feridas e centenas seguem desaparecidas.

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Mobilização em São Paulo

Diante da crise, a comunidade venezuelana em São Paulo se organiza para enviar donativos. Arrecadação de alimentos, água e medicamentos ocorre em pontos de coleta na capital paulista. "Não podemos ficar parados. Cada doação pode salvar uma vida", diz López, que coordena um grupo de voluntários. Até o momento, mais de 200 toneladas de suprimentos foram enviadas à Venezuela.

Impacto emocional e econômico

Além do sofrimento pessoal, muitos expatriados enfrentam dificuldades financeiras para ajudar suas famílias. "Trabalho como entregador, mas envio todo dinheiro extra para minha mãe. Agora, nem sei se ela está viva", relata de Martino. A incerteza afeta a saúde mental, com relatos de ansiedade e depressão entre os venezuelanos em São Paulo.

Perspectivas

As autoridades venezuelanas prometem intensificar as buscas, mas a falta de recursos e a extensão dos danos tornam o processo lento. Enquanto isso, a comunidade internacional oferece ajuda, e organizações como a Cruz Vermelha atuam no resgate. Para os venezuelanos em São Paulo, a esperança de reencontrar seus entes queridos mantém-se viva, mesmo diante da adversidade.

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