A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira (13) sanções contra oficiais da inteligência militar russa, hackers e empresas privadas, acusando-os de uma campanha de ciberespionagem de longa duração destinada a desestabilizar o bloco. As medidas atingem nove pessoas e quatro entidades supostamente ligadas a uma rede de espionagem online que, segundo a UE, desde 2010 ataca governos e realiza operações de sabotagem contra infraestrutura crítica, como sistemas de aquecimento e usinas de energia.
Alvos e países afetados
O Conselho Europeu afirmou em comunicado que os alvos “contribuem para os esforços da Rússia de desestabilizar a UE, seus Estados-membros e parceiros internacionais”. A UE destacou que as ações de espionagem e ataque ocorreram em ao menos nove países, incluindo França, Alemanha, Polônia, Chipre, Países Baixos, Áustria, Eslováquia, Romênia e Finlândia, “entre outros”. O comunicado não listou os nomes dos indivíduos e entidades sancionados.
Reação da França e foco no FSB
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, declarou à emissora BFM que o país pretende convocar o embaixador russo nos próximos dias. Ele afirmou que as atividades cibernéticas visam “ou capturar informações, ou sabotar o funcionamento”, citando como exemplo ataques à infraestrutura ferroviária, “como foi o caso na Polônia”. A UE concentrou as medidas no 16º Centro do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), acusando-o de controlar “uma variedade de grupos de ameaça cibernética” e conduzir “uma ampla gama de atividades cibernéticas maliciosas, com gravidade crescente”.
Contexto de interferência eleitoral
Alguns países europeus acusam a Rússia de combinar ciberataques e propaganda para interferir em eleições. Em abril, a Suécia disse que um grupo pró-Rússia com ligações a serviços de segurança e inteligência russos esteve por trás de um ciberataque a uma usina de aquecimento no ano passado. A declaração ocorreu após alertas de autoridades na Polônia, Noruega, Dinamarca e Letônia de que a Rússia vem atacando infraestrutura crítica em diversos países europeus.



