Torcedor imóvel da RD Congo homenageia herói nacional Patrice Lumumba na Copa
Torcedor imóvel da RD Congo homenageia herói Lumumba

Michel Kuka Mboladinga, torcedor da República Democrática do Congo, tornou-se um dos principais símbolos da seleção congolesa na Copa do Mundo de 2026 ao ficar imóvel durante as partidas, com o braço erguido e vestido com as cores da bandeira do país. A pose reproduz a imagem de Patrice Lumumba, líder da independência da RD Congo e ícone da luta anticolonial na África.

Origem da homenagem

Mboladinga ficou famoso durante a Copa Africana de Nações de 2025, quando permaneceu imóvel por 90 minutos nas arquibancadas, reproduzindo a postura da estátua de Lumumba em Kinshasa, capital do país. A homenagem viralizou, chamando a atenção da torcida, da mídia e da própria seleção, que o convidou para integrar a delegação oficial na Copa do Mundo.

Nesta terça-feira (23), a RD Congo enfrenta a Colômbia pela segunda rodada do torneio. Mboladinga deverá estar presente no estádio, repetindo sua performance habitual. Ele não conseguiu viajar a tempo para os EUA anteriormente devido a problemas com a epidemia de ebola.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Quem foi Patrice Lumumba?

Patrice Emery Lumumba foi o principal líder do movimento que levou a República Democrática do Congo à independência da Bélgica em 1960. Antes disso, o território viveu um dos períodos coloniais mais violentos, sob o controle do rei Leopoldo II, com trabalho forçado, mutilações e massacres. Historiadores estimam que até 10 milhões de congoleses morreram entre o fim do século XIX e o início do século XX.

Lumumba fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC) e tornou-se primeiro-ministro em junho de 1960. Seu governo durou poucos meses: ele foi deposto por um golpe liderado pelo coronel Joseph Mobutu, que depois governou como ditador por mais de três décadas. Preso, Lumumba foi executado em 17 de janeiro de 1961. Investigações posteriores apontaram envolvimento de autoridades belgas e da CIA em sua morte.

Após o assassinato, seu corpo foi dissolvido em ácido para evitar que o túmulo se tornasse local de peregrinação. Restou apenas uma coroa dentária de ouro, devolvida à família pela Bélgica em 2022, mais de 60 anos depois. A morte transformou Lumumba em mártir da independência congolesa e símbolo da luta anticolonial na África.

Presença na Copa do Mundo de 2026

Na Copa do Mundo de 2026, a imagem de Lumumba reaparece acompanhando a seleção da RD Congo em sua segunda participação na história. A única presença anterior foi em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire. Mboladinga, com sua homenagem silenciosa, mantém viva a memória do herói nacional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar