Racismo na imprensa esportiva argentina: um problema antigo
Racismo na imprensa esportiva argentina: problema antigo

O racismo na imprensa esportiva argentina não é um fenômeno recente. Desde a década de 1920, charges e manchetes ofensivas contra a seleção brasileira foram publicadas em jornais de grande circulação, como Crítica e El Gráfico. Esses conteúdos frequentemente retratavam jogadores brasileiros com traços exagerados e termos pejorativos, associando o desempenho esportivo a supostas inferioridades raciais.

Décadas de ofensas e estereótipos

Na década de 1940, o jornal Crítica estampou manchetes como "Brasil, país de macacos" antes de partidas importantes. Já em 1996, o diário esportivo Olé publicou uma capa com a imagem de um macaco ao lado da seleção brasileira, intitulada "A macacada brasileira". O episódio gerou protestos, mas o jornal não se retratou oficialmente.

Em 2005, o jornal Crónica usou o termo "negros" de forma depreciativa para se referir a jogadores brasileiros, em uma manchete que dizia: "Os negros brasileiros vêm para roubar". A Associação de Futebol Argentino (AFA) na época não emitiu nota de repúdio.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na torcida e no futebol

Segundo o historiador esportivo Alejandro Fabbri, "a imprensa argentina historicamente naturalizou discursos racistas, o que contribui para que torcedores repitam esses comportamentos nos estádios". Em 2023, durante um jogo entre River Plate e Flamengo, torcedores argentinos entoaram cantos racistas contra jogadores brasileiros, ecoando termos vistos em jornais décadas atrás.

Um estudo da Universidade de Buenos Aires (UBA) aponta que 78% dos episódios de racismo registrados em estádios argentinos entre 2010 e 2020 tiveram como alvo jogadores brasileiros ou afrodescendentes. A pesquisa também destaca que a mídia esportiva frequentemente minimiza esses incidentes.

Respostas institucionais e mudanças recentes

Em 2024, a Conmebol multou a Associação de Futebol Argentino em US$ 100 mil por cantos racistas de torcedores em uma partida internacional. No entanto, a imprensa argentina ainda carece de autorregulação eficaz. O jornal Olé, por exemplo, apenas em 2022 passou a ter uma política editorial contra termos racistas, após pressão de organizações de direitos humanos.

Para o sociólogo Juan Carlos Rodríguez, "o racismo na imprensa esportiva argentina é um reflexo de uma sociedade que não enfrentou seu passado colonial. Enquanto a mídia não mudar, os estádios continuarão sendo espaços de discriminação".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar