Quase 100 mil argentinos vivem no Brasil e formam um verdadeiro exército de torcedores em solo rival. Dados do Registro Nacional Migratório, mantido pela Polícia Federal, indicam que 98.884 cidadãos argentinos têm residência fixa no Brasil. A informação foi divulgada em meio à semifinal da Copa do Mundo, na qual a Argentina enfrenta a Inglaterra nesta quarta-feira (15).
Distribuição pelos estados
Os argentinos estão espalhados por todo o território nacional, com concentração em quatro estados. São Paulo lidera com 24,3 mil residentes, seguido por Santa Catarina (21,2 mil), Rio de Janeiro (16,4 mil) e Rio Grande do Sul (12,3 mil). Em São Paulo, um bairro específico se tornou reduto de argentinos e brasileiros que torcem pelos hermanos, com um restaurante recebendo centenas de torcedores em clima festivo.
Rivalidade nas redes sociais
Com a eliminação do Brasil e o avanço da Argentina para a semifinal, as redes sociais foram tomadas por memes e vídeos de brasileiros torcendo contra os vizinhos. Para os argentinos que vivem no Brasil, o antagonismo atingiu um novo patamar. Um tema central nos debates é o racismo, após denúncias de comportamento preconceituoso de torcedores argentinos nas arquibancadas.
Na partida entre Argentina e Egito, o influenciador IShowSpeed foi hostilizado e um torcedor foi filmado imitando um macaco. A FIFA investiga o caso e declarou: "A FIFA condena veementemente o racismo, o ódio e a discriminação em todas as suas formas. Essas atitudes não têm lugar no futebol, na Copa do Mundo da FIFA ou em qualquer parte da sociedade".
Argentinos no Brasil se sentem incomodados com generalizações
O produtor cultural Hernan Halak, que vive em São Paulo há 17 anos, fez um desabafo no Instagram após seu filho, brasileiro, chegar em casa chorando porque colegas de escola disseram que "todo argentino é racista e machista". Halak escreveu: "Sempre convivi com a rivalidade entre Argentina e Brasil, mas nunca tinha vivido algo como agora. (...) Quando vejo argentinos protagonizando cenas de racismo sinto vergonha e indignação, mas também me preocupa ver um país inteiro sendo reduzido a essas pessoas. (...) A Argentina é muito maior do que seus piores exemplos. (...) Eu amo o Brasil, amo a Argentina. E justamente por amar os dois, me recuso a aceitar que a generalização substitua o diálogo. O racismo precisa ser combatido com toda força, mas a xenofobia também".
Um engenheiro argentino que vive no Rio de Janeiro, preferindo não se identificar, disse ao g1 que a Copa aumentou as ofensas que ele ouve. "Há muitas pessoas ignorantes e sem noção na torcida argentina, mas isso não quer dizer que todo o país é racista. Há vários lugares em que eu não vou mais porque sou automaticamente julgado e ofendido por causa de outros argentinos que fizeram um gesto racista", afirmou.



