Copa do Mundo: protestos marcam estreia do Irã em Los Angeles
Protestos marcam estreia do Irã na Copa em Los Angeles

A estreia do Irã na Copa do Mundo FIFA 2026, realizada em Los Angeles nesta segunda-feira, foi marcada por forte presença de manifestantes iranianos-americanos que exibiam símbolos de protesto contra o governo de Teerã. O jogo, válido pelo Grupo G contra a Nova Zelândia, aconteceu no Estádio de Los Angeles, em Inglewood, Califórnia, e contou com um público dividido entre torcedores que aplaudiam a seleção e outros que ostentavam bandeiras e cartazes de oposição.

Contexto político e guerra

A partida ocorreu apenas 24 horas após o anúncio de um acordo de paz para encerrar a guerra que começou em fevereiro, quando os EUA e Israel atacaram o Irã. A seleção iraniana chegou aos EUA no domingo, voando de sua base de treinamento em Tijuana, no México, e aterrissando em Los Angeles no momento do anúncio do acordo.

Los Angeles abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã, muitos dos quais fugiram após a Revolução Islâmica. Torcedores iranianos-americanos relataram estar divididos entre a emoção de ver a seleção no maior palco do futebol mundial, a raiva pela repressão de Teerã a manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeios de Washington.

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Protestos e símbolos

Cerca de 300 a 500 manifestantes se reuniram do lado de fora do estádio, agitando cartazes e bandeiras contra o governo iraniano. Muitos optaram por não assistir à partida, argumentando que isso sugeriria apoio a Teerã. Outros entraram no estádio levando símbolos de protesto, como a bandeira pré-revolucionária do Irã, que apresenta as mesmas cores da bandeira oficial, mas com o leão e o sol.

A Fifa, entidade que rege o futebol mundial, afirmou que proíbe bandeiras ou vestuário de natureza política, mas não se pronunciou especificamente sobre a bandeira pré-revolucionária iraniana. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, esteve presente na partida. A Reuters observou que várias pessoas carregando a bandeira com o leão e o sol ou vestindo camisetas com o símbolo passaram pela segurança sem problemas.

Torcida dividida

Três pessoas nas arquibancadas vestindo camisetas brancas com o motivo do leão e do sol disseram que decidiram usá-las apesar das advertências. “Esta equipe não é a equipe do povo do Irã”, afirmou Farhad Jafargad, um dos três, que planejava torcer pela Nova Zelândia. Outros torcedores se envolveram com a bandeira oficial e reclamaram de hostilidade dos manifestantes.

Alguns torcedores preferiram focar no futebol. “Estou aqui para apoiar o Irã. Vamos ganhar este jogo”, disse Mehdi Jafari, de 57 anos, vestindo uma camisa da seleção iraniana. “Temos muito orgulho do nosso país. Estamos aqui para torcer pelo Irã. Acho que todos devemos deixar a política de lado e simplesmente torcer pelo Team Melli.”

O jogo e a controvérsia

Enquanto alguns vaiaram o hino nacional iraniano e comemoraram o primeiro gol da Nova Zelândia, a maioria do estádio torcia pelo Irã e celebrou quando a seleção asiática empatou. A participação do Irã no torneio tem sido marcada por controvérsias devido à guerra, que começou em fevereiro com ataques dos EUA e Israel contra o Irã, após protestos em todo o país em janeiro, nos quais milhares de pessoas foram mortas em uma repressão sangrenta do governo.

Nas últimas semanas, a seleção mudou sua base do Arizona para o México, enquanto a federação reclamou que nem toda a delegação recebeu vistos dos EUA e que os ingressos destinados aos torcedores foram retirados.

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