Salvo por transfusão na adolescência, homem se torna doador de sangue
Salvo por transfusão na adolescência, homem se torna doador

Junho é o mês de conscientização sobre a importância da doação de sangue. A campanha Junho Vermelho busca reforçar os estoques dos hemocentros e incentivar novos doadores, especialmente durante o inverno, período em que as doações costumam cair. O sangue não pode ser fabricado artificialmente e depende exclusivamente da solidariedade dos doadores para atender pacientes que precisam de transfusões. Essa necessidade é bem conhecida por Elton Pereira dos Santos, morador de Marília (SP).

Acidente na adolescência e a descoberta da importância da doação

Há pouco mais de 30 anos, após sofrer um acidente de trabalho na zona rural quando tinha 15 anos, Elton precisou receber plasma durante a recuperação. O plasma sanguíneo é a parte líquida do sangue, de cor amarelada, que corresponde a cerca de 55% do volume sanguíneo. Composto principalmente por água, proteínas, sais e anticorpos, o plasma é responsável por transportar nutrientes, hormônios e células pelo corpo, além de atuar na coagulação e na defesa do organismo. Foi nesse momento que Elton conheceu de perto a importância da doação de sangue, um gesto que ajudou a transformar sua trajetória e que, anos mais tarde, o motivaria a se tornar doador.

“Eu trabalhava com atividades de serviços gerais na zona rural, quando sofri um acidente. Fiquei internado por 20 dias e passei por duas cirurgias. Na segunda, eu precisei receber plasma”, afirma. Segundo ele, a transfusão de plasma foi essencial para a recuperação pós-cirurgia. “Acredito que, quando o corpo está nas condições certas, ele se recupera muito rápido. No meu caso, como eu estava com os níveis de nutrientes e outras substâncias do sangue abaixo do ideal, o plasma foi essencial para acelerar minha recuperação”, conta.

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Motivação para se tornar doador

Depois de recuperado, Elton voltou a perceber de perto a importância da doação de sangue. “Uma pessoa muito próxima precisou fazer uma cirurgia de alto risco para colocar uma prótese. Nesse tipo de cirurgia, é comum precisar de transfusão de sangue”, explicou. A experiência despertou nele a vontade de se tornar doador. “Eu só tinha visto falar da doação de sangue pela TV, em campanhas periódicas regionais ligadas ao hemocentro. Mas, quando passei por essa situação de quase perder essa pessoa tão especial na minha vida, se não fosse a doação de sangue, eu quis me tornar doador, como uma forma de gratidão para as pessoas de bom coração que doaram e salvaram a vida dela”, lembra.

O gesto que salvou a vida de Elton e o motivou a ser doador de sangue é o mesmo que permite que milhares de pessoas realizem seus tratamentos. O Hemocentro de Marília atende uma população estimada em cerca de 2 milhões de moradores, distribuídos em 101 municípios da região, e é coordenado pela médica Bruna Carvalho. “As maiores demandas de hemocomponentes são para vítimas de trauma, pacientes com doenças oncológicas e pacientes submetidos a grandes cirurgias, como ortopédicas, cardíacas e oncológicas”, explica em entrevista ao g1.

Como funciona a doação de sangue

Bruna também explica que, na doação, o sangue coletado é separado em três componentes: hemácias, plaquetas e plasma, que podem ajudar pacientes diferentes. No caso do Elton, o componente utilizado foi o plasma. “Plasma é a parte líquida do sangue, na qual ficam as proteínas do sangue, incluindo albumina, imunoglobulinas, fatores de coagulação. Ele é usado principalmente em tratamento de sangramentos, doenças nas quais existe deficiência de imunoglobulinas e fatores de coagulação”, contou.

Desafios para manter os estoques

Apesar de o assunto ser amplamente divulgado, manter os estoques de sangue em estados considerados razoáveis ainda é uma dificuldade do hemocentro. “Nos períodos de férias e nos meses de inverno, as doações diminuem, e é muito importante que as pessoas doem regularmente, porque a demanda é contínua. As bolsas de hemácias duram 30 dias e as plaquetas apenas cinco dias.”

Para quem doa, o gesto dura apenas alguns minutos, mas os efeitos podem permanecer por muitos anos, como aconteceu com Elton. “Minha primeira doação foi há 25 anos. Eu não me recordo muito bem, mas sempre que eu saio do hemocentro fico com a sensação de dever cumprido. É sempre bom poder ajudar quem precisa.”

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Para quem recebe, uma bolsa de sangue pode representar a continuidade de um tratamento, a recuperação após uma cirurgia ou até uma nova chance de vida. “Para quem está do outro lado, a doação de sangue representa a possibilidade de viver. A transfusão deve ser indicada para pacientes que realmente necessitam desse tratamento para viver. Então, não é clichê a frase ‘sangue é vida’”, finaliza Bruna.

Como doar sangue em Marília e região

O Hemocentro de Marília está localizado na Rua Lourival Freire, 240, e atende de segunda-feira a sábado, das 7h às 13h. Para se tornar um doador de sangue, é necessário ter mais de 16 anos e pesar mais de 50 quilos. Homens podem doar sangue até quatro vezes por ano, com intervalo mínimo de 60 dias entre doações, enquanto mulheres podem doar até três vezes por ano, com intervalo mínimo de 90 dias.

Outros locais para doação na região

  • Bauru: Hemonúcleo do Hospital de Base (HB) – Rua Monsenhor Claro, 8-88. Horários: segunda a sexta, das 7h às 13h; sábados, das 7h às 12h. Agendamento opcional: (14) 3231-4771. E-mail: hemonucleo.hb@famesp.org.br
  • Botucatu: Hemocentro do Hospital das Clínicas (HC-FMB-Unesp) – Avenida Prof. Mário Rubens Guimarães Montenegro, s/n. Horários: segunda a sexta, das 8h às 16h30; sábados, das 7h às 12h. Agendamento preferencial: WhatsApp (14) 99624-7055 e (14) 99631-5650, ou telefones (14) 3813-6931 e (14) 3811-6041 (ramal 240). E-mail: doesangue.hcfmb@unesp.br
  • Jaú: Hemonúcleo Regional de Jaú (Hospital Amaral Carvalho) – Rua Dona Silvéria, 150. Horários: segunda a sexta, das 7h30 às 15h; sábados, das 7h30 às 12h. Agendamento obrigatório: (14) 3602-1355 ou (14) 3602-1356.