O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,3% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) nesta quarta-feira. O resultado ficou abaixo da previsão do mercado, que esperava uma alta de 4,6%.
Desempenho abaixo das expectativas
A desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB avançou 4,8%, reflete os desafios enfrentados pela segunda maior economia do mundo, incluindo a fraca demanda doméstica e as tensões comerciais com os Estados Unidos. Em termos trimestrais, o PIB ajustado sazonalmente cresceu 0,8% no segundo trimestre, ante 1,1% no trimestre anterior.
Setores econômicos
O setor primário (agricultura) registrou crescimento de 3,2% no trimestre, enquanto o setor secundário (indústria e construção) avançou 4,1%. Já o setor terciário (serviços) cresceu 4,5%, impulsionado pelo consumo de serviços, mas ainda insuficiente para compensar a fraqueza industrial.
Produção industrial e vendas no varejo
A produção industrial da China aumentou 5,1% em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior, ligeiramente abaixo da previsão de 5,2%. As vendas no varejo, principal indicador do consumo, cresceram 3,8% em junho, também abaixo da expectativa de 4,2%, sinalizando que o consumidor chinês continua cauteloso.
Investimento e imóveis
O investimento em ativos fixos (incluindo infraestrutura, manufatura e imóveis) acumulou alta de 3,9% nos primeiros seis meses de 2026, abaixo dos 4,1% projetados. O setor imobiliário, que representa cerca de um quarto da economia, continua em crise: o investimento em desenvolvimento imobiliário caiu 9,8% no período, pior que a queda de 8,5% registrada no primeiro trimestre.
Taxa de desemprego
A taxa de desemprego urbano pesquisado foi de 5,1% em junho, estável em relação a maio, mas acima do nível de 5,0% considerado confortável pelo governo. O desemprego juvenil (16-24 anos) permaneceu elevado, em 14,2%, pressionando o governo a adotar medidas de estímulo ao mercado de trabalho.
Pressão sobre estímulos
Os dados reforçam as expectativas de que o governo chinês precisará intensificar os estímulos fiscais e monetários para atingir a meta de crescimento de 5% para 2026. O Banco Popular da China (PBOC) já reduziu a taxa de juros de referência em 0,25 ponto percentual em junho, mas analistas avaliam que novas medidas são necessárias. "A economia chinesa está claramente perdendo impulso, e o governo terá que agir de forma mais agressiva para evitar uma desaceleração maior", disse Zhang Wei, economista-chefe do Banco da China Internacional.
Contexto externo
As tensões comerciais com os EUA continuam pesando, com tarifas recíprocas sobre produtos chineses e restrições a exportações de tecnologia. Em junho, as exportações chinesas cresceram 4,2% em relação ao ano anterior, abaixo dos 5,0% esperados, enquanto as importações caíram 1,8%, indicando demanda interna fraca. O saldo comercial do país foi de US$ 68,7 bilhões no mês.
Perspectivas
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou recentemente sua projeção de crescimento para a China em 2026 para 4,8%, abaixo dos 5,0% anteriores. Para o terceiro trimestre, a maioria dos analistas espera um crescimento entre 4,0% e 4,5%, a menos que novos estímulos sejam implementados. O governo chinês já sinalizou que pode aumentar os gastos com infraestrutura e ampliar os subsídios ao consumo de eletrodomésticos e veículos.



