ONU alerta para escassez de alimentos e doenças após terremotos na Venezuela
ONU alerta para escassez e doenças na Venezuela após terremotos

A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta sobre a grave escassez de alimentos e o risco iminente de surtos de doenças na Venezuela, após a série de terremotos devastadores que atingiu o país há quase uma semana. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que os danos materiais já alcançam US$ 6,7 bilhões, enquanto equipes de resgate continuam a busca por sobreviventes entre os escombros.

Crise humanitária se agrava

A tragédia, que está prestes a completar uma semana, já afeta cerca de 1,8 milhão de pessoas, das quais 680 mil são crianças, segundo dados da ONU. A destruição de infraestrutura básica, incluindo sistemas de água potável, saneamento e hospitais, eleva significativamente o risco de doenças transmitidas pela água, como cólera e hepatite. "A situação é crítica. Precisamos de acesso urgente a alimentos, água potável e medicamentos para evitar uma catástrofe sanitária ainda maior", afirmou um porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Danos econômicos e esforços de resgate

O PNUD detalhou que os US$ 6,7 bilhões em danos incluem a destruição parcial ou total de mais de 50 mil residências, além de estradas, pontes e redes de energia. As regiões mais afetadas são os estados de La Guaira, Miranda e Sucre, onde o terremoto de magnitude 7,3 na escala Richter foi sentido com maior intensidade. Equipes de resgate internacionais, incluindo brigadas do Brasil, México e Espanha, atuam em conjunto com os bombeiros venezuelanos para localizar vítimas sob os escombros. Até o momento, mais de 300 corpos foram recuperados, e cerca de 2 mil pessoas seguem desaparecidas.

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Ajuda internacional e desafios logísticos

A ONU já mobilizou US$ 15 milhões em ajuda emergencial, mas alerta que os recursos são insuficientes diante da magnitude da catástrofe. "A comunidade internacional precisa responder com rapidez. Cada dia sem assistência adequada aumenta o sofrimento de milhões de venezuelanos", declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em nota oficial. No entanto, a entrega de suprimentos enfrenta obstáculos logísticos, como estradas bloqueadas e a falta de combustível, agravada pela crise econômica que o país já enfrentava antes dos terremotos.

Risco de doenças e saúde pública

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) expressou preocupação com a possível propagação de doenças em abrigos superlotados. "Sem acesso a água limpa e saneamento básico, o risco de surtos de diarreia, dengue e outras enfermidades é muito alto", alertou a diretora da Opas, Carissa Etienne. Hospitais danificados ou destruídos reduziram a capacidade de atendimento em 40% nas áreas atingidas, forçando a transferência de feridos para unidades em outras regiões. A ONU também informou que 200 mil crianças estão desnutridas e precisam de alimentação suplementar com urgência.

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