O médico nazista Josef Mengele, conhecido como "Anjo da Morte", morreu em Bertioga, no litoral de São Paulo, em 1979, após passar quase duas décadas escondido no Brasil. A morte ocorreu enquanto ele tomava banho de mar e só foi oficialmente associada ao criminoso de guerra seis anos depois, quando autoridades confirmaram sua verdadeira identidade.
Arquivos suíços podem trazer novas revelações
O caso voltou a repercutir após o Serviço Federal de Inteligência da Suíça anunciar que abrirá ao público arquivos secretos relacionados a Mengele. A expectativa é que os documentos revelem novas informações sobre a rota de fuga do ex-oficial nazista após a Segunda Guerra Mundial e possíveis conexões mantidas por ele com a Europa depois do conflito.
Atuação em Auschwitz
Mengele atuou no campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada pelos nazistas, onde ficou conhecido como "Anjo da Morte". Ele selecionava prisioneiros para as câmaras de gás e realizava experimentos médicos, principalmente com crianças e gêmeos. Estima-se que tenha enviado cerca de 400 mil pessoas, a maioria judeus, para a morte.
Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, o médico fugiu da Europa por via marítima e se refugiou na América do Sul. Antes de viver no interior de São Paulo, passou pela Argentina e pelo Paraguai, onde obteve cidadania paraguaia.
Morte em Bertioga
Em 7 de fevereiro de 1979, banhistas encontraram um homem boiando no mar em uma praia de Bertioga. Eles chegaram a retirá-lo da água antes da chegada do socorro, mas a vítima já estava morta. Na época, o homem foi identificado como Wolfgang Gerhardt, identidade falsa utilizada por Mengele, e a morte foi atribuída a um mal súbito seguido de afogamento. O caso teve pouca repercussão até 1985, quando investigações confirmaram que o corpo era do médico nazista.
O que pode estar nos arquivos suíços
Após a Segunda Guerra Mundial, surgiram relatos e suspeitas de que Mengele teria passado por períodos de circulação na Suíça, mesmo já sendo procurado internacionalmente por um mandado de prisão. A hipótese é reforçada por investigações históricas que apontam possíveis deslocamentos dele pela Europa mesmo após ter fugido para a América do Sul.
A abertura dos documentos deve reunir registros do serviço de inteligência suíço e informações trocadas com outros países, incluindo alertas sobre a circulação de Mengele com identidade falsa e possíveis deslocamentos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Não há data oficial para a divulgação dos arquivos.



