Morte de atriz na Índia expõe violência por dote que mata 16 mulheres por dia
Morte de atriz na Índia expõe violência por dote que mata 16/dia

O assassinato da atriz indiana Twisha Sharma, de 24 anos, sob suspeita de violência por dote, reacendeu o debate sobre essa prática ilegal, mas ainda profundamente enraizada na cultura indiana. Segundo dados oficiais, 16 mulheres morrem diariamente no país vítimas de crimes relacionados ao dote.

O caso Twisha Sharma

Twisha Sharma, atriz conhecida por trabalhos em novelas e filmes regionais, foi encontrada morta em sua residência em Mumbai no último domingo. A família da vítima acusa o marido e os sogros de tê-la assassinado após exigências de dote não atendidas. A polícia prendeu o marido e a sogra, que negam as acusações. O caso ganhou repercussão nacional e motivou protestos em várias cidades.

Violência por dote: números alarmantes

De acordo com o Escritório Nacional de Registros de Crimes da Índia, em 2023 foram registrados 6.500 casos de mortes por dote, uma média de 16 por dia. Muitos casos não são denunciados. A prática do dote, em que a família da noiva paga bens ou dinheiro à família do noivo, é ilegal desde 1961, mas continua sendo exigida informalmente. "A lei existe, mas a implementação é falha. Muitas famílias ainda veem o dote como um direito do noivo", afirmou Ranjana Kumari, diretora do Centro de Pesquisa Social, em entrevista ao jornal The Hindu.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto cultural e falhas sistêmicas

O dote está enraizado em tradições seculares, especialmente em comunidades hindus, e persiste mesmo entre mulheres urbanas e educadas. A pressão financeira sobre as famílias das noivas leva a endividamento e, em casos extremos, à violência quando as exigências não são cumpridas. Especialistas apontam que a polícia e o sistema judiciário muitas vezes tratam esses crimes como suicídios ou acidentes, dificultando a responsabilização. "A cultura de culpar a vítima e a falta de treinamento policial contribuem para a impunidade", disse a ativista Kavita Krishnan.

Protestos e pedidos de justiça

Manifestações ocorreram em Mumbai, Délhi e outras cidades, com cartazes exigindo "Justiça para Twisha". Grupos de direitos das mulheres pedem o fortalecimento da Lei de Proibição do Dote de 1961 e a criação de delegacias especializadas. O caso de Twisha Sharma, pela visibilidade da vítima, pode pressionar as autoridades a agir, mas ativistas alertam que mudanças estruturais são necessárias para erradicar a violência por dote.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar