Um morador de Caiuá (SP) registrou uma luz brilhante no céu na noite de quinta-feira (2). O fenômeno era a Estação Espacial Internacional (ISS), que orbita a Terra a 400 km de altitude. Walter Bispo de Souza, morador da zona rural, disse ao g1 que tenta observar o fenômeno sempre que possível.
O que é a ISS e por que ela brilha?
Segundo o astrônomo e professor de física Rodrigo Raffa, do Clube Centauri de Itapetininga, a ISS é um laboratório em microgravidade que completa uma volta ao redor do planeta a cada 90 minutos. “Quando está no ângulo certo com relação ao sol durante o crepúsculo, conseguimos vê-la com um brilho intenso durante alguns minutos”, explica.
O brilho ocorre porque a luz solar reflete na estrutura metálica da estação. Gustavo Vieira, aluno de Física da Unesp, ressalta que satélites em órbita baixa só aparecem brilhantes no céu poucos minutos após o pôr do Sol e antes do amanhecer. “O motivo é que apenas nesses períodos o Sol incide sobre o satélite e a luz é refletida. Durante a noite não é possível vê-los, pois estão na sombra terrestre.”
Passagem visível em todo o Sul e Sudeste
A ISS estará visível novamente nesta sexta-feira (3), possivelmente das 18h16 às 18h22. “A ISS vai passar mais alta no litoral, pois vai passar literalmente por cima das praias, mas também ficará visível para o interior [de SP], desde o Rio Grande do Sul até o sul da Bahia”, afirma Raffa.
A velocidade da ISS é de cerca de 28 mil km/h. “A Estação Espacial Internacional levaria apenas 9 minutos para percorrer uma distância equivalente do Oiapoque (Amapá) ao Chuí (Rio Grande do Sul). Menos tempo do que muita gente leva para tomar um café”, compara o astrônomo.
Laboratório tripulado há mais de 25 anos
Atualmente, a ISS conta com sete astronautas da Rússia, Estados Unidos e França, realizando pesquisas científicas. “A ISS tem sido tripulada continuamente por mais de 25 anos, uma presença humana ininterrupta em órbita baixa da Terra por mais tempo do que qualquer outra na história”, destaca Raffa.
A estrutura tem aproximadamente 110 metros de largura e é operada por cinco agências espaciais: Nasa (EUA), Roscosmos (Rússia), ESA (Europa), JAXA (Japão) e CSA (Canadá). “Ela é o primeiro passo da permanência da humanidade no espaço; os dados coletados podem auxiliar numa futura estação lunar”, completa o professor.
Além da ISS, a Estação Espacial Chinesa Tiangong é o único outro satélite tripulado em órbita. Para chegar à ISS, são usados a Crew Dragon da SpaceX (lançada do Centro Espacial Kennedy) e a espaçonave russa Soyuz.



