Manifestante morto a tiros em protesto contra centro de quarentena dos EUA no Quênia
Manifestante morto em protesto contra centro de quarentena no Quênia

Um manifestante foi baleado e morto durante um protesto contra a construção de um centro de quarentena para americanos expostos ao Ebola no Quênia, nesta terça-feira (9), na cidade de Nanyuki, região central do país. Repórteres da agência Reuters, que estavam no local, não presenciaram o tiroteio, mas viram o corpo do homem, com um grande ferimento na parte traseira da cabeça, dentro de uma viatura policial. Procurado para falar sobre o incidente, um porta-voz da polícia afirmou que não tinha informações. Na semana passada, duas pessoas já haviam sido mortas nos protestos contra o centro dos Estados Unidos.

Protestos contra o centro de quarentena

Centenas de jovens realizaram um protesto na segunda-feira (1º) em Nanyuki contra a instalação de um centro de quarentena para cidadãos americanos expostos ao Ebola na Base Aérea de Laikipia. Os moradores temem ser expostos ao vírus por meio de pacientes transportados ao local. Não há registro, até o momento, de casos de Ebola no país no atual surto da doença. Os protestos ocorreram dois dias depois de o Supremo Tribunal do Quênia ter suspendido a instalação do centro e a chegada de quaisquer pacientes estrangeiros, enquanto aguarda o julgamento de um processo movido pela Ordem dos Advogados do Quênia e por um órgão de fiscalização constitucional. As duas organizações citaram a fragilidade do sistema de saúde queniano como razão pela qual pacientes estrangeiros com Ebola não deveriam ser colocados em quarentena no país.

Planos dos Estados Unidos

Autoridades americanas disseram na quinta-feira (28) que os Estados Unidos planejavam enviar americanos expostos ao Ebola no exterior para uma nova instalação no Quênia, em vez de repatriá-los. As autoridades falaram sob condição de anonimato para discutir os planos do governo. Elas afirmaram que a instalação ficaria na Base Aérea de Laikipia e estaria operacional com 50 leitos de quarentena até esta sexta-feira (5). Na segunda-feira, centenas de jovens marcharam até os portões da base aérea, entoando slogans contra o Ebola. O Ministro da Saúde, Aden Duale, declarou no domingo que o centro de quarentena era para “todos” e não exclusivamente para cidadãos americanos. O governo dos EUA pretende investir US$ 13,5 milhões nos esforços de preparação do Quênia contra o Ebola, afirmou o Secretário de Estado Marco Rubio em um comunicado.

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Oposição local

Líderes locais, incluindo o governador de Laikipia, Joshua Irungu, disseram a jornalistas que se opunham à criação de um centro de quarentena para o Ebola. “Isso exporá nossa população ao Ebola”, disse ele, acrescentando que muitos moradores locais trabalham dentro da base aérea e poderiam ser expostos. Um morador, Malin Ndegwa, afirmou que o Quênia não deveria ser exposto ao vírus ao hospedar estrangeiros quando não é o epicentro do surto. “Por que não estão fazendo isso na República Democrática do Congo? Por que não estão fazendo isso em Uganda? Por que precisam trazer isso para cá? Portanto, estamos dizendo, categoricamente, que não queremos negociações, nem participação pública. Queremos que essa instalação seja retirada da nossa cidade, queremos que seja retirada do Quênia”, disse ele.

Situação do Ebola na região

O Quênia não registrou casos de Ebola, mas Uganda, país vizinho, relatou nove e fechou sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC). Pelo menos 282 casos confirmados foram relatados na RDC, com mais de 1.000 casos suspeitos do vírus Bundibugyo, a variante atual do Ebola, que não possui tratamento ou vacina aprovados. A nova variante do Ebola tem feito o vírus se espalhar rapidamente pela República Democrática do Congo e acende um alerta para uma nova epidemia regional da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto no país provavelmente começou há alguns meses e a resposta dos órgãos de saúde internacionais foi "um pouco tardia". O Ebola é uma doença rara, mas grave em humanos, que frequentemente leva à morte – a taxa média de letalidade da doença é de 50%. Ele se dissemina entre os humanos pelo contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e com superfícies e materiais contaminados.

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