O Irã se tornou o maior comprador do Brasil no Oriente Médio em 2025, superando a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. As exportações brasileiras para o país persa somaram US$ 4,8 bilhões no ano passado, um aumento de 12% em relação a 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Milho e soja lideram as exportações
Os principais produtos exportados foram milho (US$ 1,9 bilhão), soja (US$ 1,5 bilhão) e carne bovina (US$ 800 milhões). O crescimento foi impulsionado pela demanda iraniana por alimentos, em meio a sanções internacionais que limitam seu acesso a outros mercados.
“O Irã é um parceiro estratégico para o agronegócio brasileiro. Apesar das dificuldades logísticas e financeiras, os negócios têm se mantido firmes”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Grãos (Aneg), Sergio Mendes.
Contexto geopolítico favorece o Brasil
Especialistas apontam que o isolamento do Irã no cenário global abre espaço para o Brasil, que mantém relações comerciais sem restrições políticas. O país também se beneficia da proximidade com a Rússia, outro grande fornecedor de grãos, mas que enfrenta problemas de safra.
A Arábia Saudita, que liderava o ranking em 2024, caiu para a segunda posição, com US$ 4,2 bilhões em compras. Os Emirados Árabes Unidos ficaram em terceiro, com US$ 3,9 bilhões.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a expectativa é de que o comércio bilateral continue crescendo, especialmente com a recente autorização para exportação de frutas brasileiras, como manga e uva, para o mercado iraniano. No entanto, há desafios, como a volatilidade cambial e as dificuldades de pagamento devido às sanções.
“O Brasil precisa diversificar os meios de pagamento e buscar alternativas como o uso de moedas locais ou criptomoedas para facilitar as transações”, sugeriu o economista Carlos Alberto de Oliveira, da Fundação Getulio Vargas (FGV).



