Irã ameaça fechar mais rotas marítimas no Oriente Médio após bloqueio naval dos EUA
Irã ameaça fechar mais rotas marítimas no Oriente Médio

O Irã ameaçou nesta quarta-feira fechar mais rotas marítimas estratégicas no Oriente Médio, em resposta ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos na região. A declaração foi feita pelo comandante da Marinha iraniana, contra-almirante Shahram Irani, durante uma coletiva em Teerã. Segundo ele, o país está preparado para tomar medidas adicionais caso a pressão militar americana continue.

Contexto do bloqueio naval dos EUA

Os Estados Unidos anunciaram na semana passada o envio de dois porta-aviões e embarcações de apoio para o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia, com o objetivo de garantir a liberdade de navegação. A operação, batizada de Sentinel, visa coibir ações que possam interromper o fluxo de petróleo e comércio na região. O governo americano alega que o Irã tem realizado apreensões ilegais de navios petroleiros nos últimos meses.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, cerca de 20% do petróleo mundial transita pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas que o Irã já ameaçou fechar anteriormente. A nova ameaça iraniana inclui possíveis bloqueios no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, e no Canal de Suez, rotas críticas para o comércio global.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reação internacional e impacto econômico

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu moderação a ambas as partes, alertando que um conflito na região poderia desestabilizar a economia global. "A escalada de tensões no Oriente Médio é profundamente preocupante. Apelamos a todos os atores que evitem ações unilaterais que possam levar a uma crise humanitária e econômica", declarou Guterres em comunicado.

O mercado de petróleo já reagiu: o barril do Brent subiu 3,2% nesta quarta-feira, cotado a US$ 87,40, refletindo o temor de interrupções no fornecimento. Analistas do banco Goldman Sachs estimam que um bloqueio total no Estreito de Ormuz poderia elevar o preço do petróleo para mais de US$ 120 por barril.

Posição iraniana e capacidade militar

O contra-almirante Irani afirmou que a Marinha iraniana desenvolveu novas capacidades de ataque assimétrico, incluindo mísseis antinavio de longo alcance e drones submarinos. "Não hesitaremos em usar todos os meios disponíveis para proteger nossos interesses nacionais. Se os EUA continuarem sua agressão, fecharemos todas as rotas que considerarmos necessárias", disse Irani.

Especialistas militares avaliam que o Irã possui capacidade de minar o Estreito de Ormuz com minas navais e de lançar ataques coordenados com seus aliados regionais, como os houthis no Iêmen, que já atacaram navios no Mar Vermelho. A tensão se intensifica após o incidente de junho, quando o Irã apreendeu dois petroleiros gregos no Golfo Pérsico.

Resposta dos EUA e aliados

O Pentágono classificou as ameaças iranianas como "retórica inflamatória" e afirmou que a operação Sentinel continuará conforme planejado. "Estamos preparados para garantir a segurança das vias navegáveis. Qualquer tentativa de bloquear o tráfego marítimo será enfrentada com força decisiva", disse o porta-voz do Departamento de Defesa, John Kirby.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, principais produtores de petróleo da região, expressaram preocupação com a escalada e pediram diálogo. O ministro das Relações Exteriores saudita, príncipe Faisal bin Farhan, afirmou que "a estabilidade regional é fundamental para a economia global. Instamos todas as partes a se engajar em negociações construtivas".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar