IATA realiza 82ª assembleia no Rio com foco em sustentabilidade e IA
IATA realiza 82ª assembleia no Rio com foco em sustentabilidade

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) realiza sua 82ª assembleia anual no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 8 de junho. O evento ocorre em um momento desafiador para o setor, marcado por incertezas sobre um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que mantêm os preços dos combustíveis, especialmente o de aviação, em alta. Companhias aéreas de todo o mundo estão em alerta.

Temas em debate

Durante os três dias, serão discutidos temas como sustentabilidade, comércio e tarifas, psicologia e direitos dos passageiros, além do avanço da inteligência artificial no setor. Um dos painéis abordará como reduzir a lacuna entre o potencial de produção no Brasil do SAF (combustível de aviação sustentável) e as necessidades da indústria aérea, em um contexto em que a dependência de uma única fonte de combustível tem sido questionada.

Histórico da assembleia

A última assembleia geral anual realizada na América do Sul ocorreu em 1999, também no Rio de Janeiro. Na ocasião, foi introduzido o formato da Cúpula Mundial de Transporte Aéreo, reconhecendo a Assembleia Geral Anual da IATA como a principal plataforma da indústria para debates de alto nível sobre questões críticas relacionadas à aviação.

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Impactos da guerra no Oriente Médio

O conflito no Oriente Médio tem prejudicado o desempenho geral do transporte de passageiros e de carga nos últimos meses. Em abril, a demanda total, medida em quilômetros pagos por passageiro, caiu 3,4% em comparação com o mesmo mês de 2025. A associação destacou que essa foi a primeira queda na demanda na comparação anual desde a pandemia. Quando excluídos os dados do Oriente Médio, a demanda aumentou 1,2%.

A capacidade total, medida em assentos-quilômetro oferecidos (ASK), recuou 2,9% em relação ao ano anterior. O fator de ocupação foi de 83,1%, uma queda de 0,4 ponto percentual em comparação com abril de 2025.

Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA, comentou: “A queda de 46,6% na demanda por companhias aéreas no Oriente Médio devido à guerra na região foi tão aguda que arrastou a demanda geral para baixo de -3,4%. A situação do transporte aéreo continua altamente volátil. O custo do combustível para aviões mais que dobrou em abril, o que está aumentando as tarifas aéreas.”

Carga aérea em alta

Enquanto isso, a demanda por carga aérea cresceu 4% em relação ao ano anterior em abril, impulsionada por fortes fluxos comerciais ligados à Ásia. No entanto, a notícia positiva esconde um ambiente operacional mais complexo: a severa interrupção nos principais centros do Golfo devido à guerra continuou a remodelar rotas comerciais e restringir a capacidade em corredores-chave. Walsh acrescentou: “Os cargueiros dedicados carregam grande parte do crescimento, e o transporte aéreo de carga volta a manter as cadeias de suprimentos em movimento em meio a interrupções comerciais. Os próximos meses testarão quanto o setor consegue absorver a contínua incerteza geopolítica e os custos operacionais elevados.”

LATAM como anfitriã

Neste ano, a LATAM Airlines Group é a companhia aérea anfitriã do evento, que deve contar com cerca de 1.500 líderes do setor e autoridades governamentais. Sobre o Brasil, Walsh destacou que o setor está em rápida modernização no país e já sustenta 2,1% do PIB. “Com ricos recursos turísticos, enorme potencial de produção de SAF e exportações crescentes, o potencial para fortalecer ainda mais a conectividade aérea do Brasil é uma proposta vencedora para pessoas, empregos, comércio e para a economia em geral. Destacaremos políticas e mudanças necessárias para transformar o potencial do Brasil em realidade como parte de um programa que aborda as questões globais mais urgentes da aviação”, informou.

O jornalista viajou a convite da IATA.

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