Guerra força países em desenvolvimento a hipotecar o futuro, diz chefe do PNUD
Guerra força países a hipotecar o futuro, diz PNUD

O chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, afirmou que as guerras e crises globais estão forçando países em desenvolvimento a hipotecar seu futuro, sacrificando investimentos essenciais em educação, saúde e infraestrutura para lidar com emergências imediatas. A declaração foi feita durante a apresentação do relatório anual do PNUD, em Genebra.

Impacto das crises nos orçamentos nacionais

Steiner destacou que, nos últimos cinco anos, o número de conflitos armados aumentou significativamente, elevando os gastos militares e humanitários. Países como Sudão, Iêmen e Ucrânia estão entre os mais afetados, mas nações da África Subsaariana e do Sul da Ásia também sentem os efeitos. Segundo o relatório, o serviço da dívida externa desses países consumiu, em média, 12% de suas receitas fiscais em 2025, comparado a 6% em 2019.

Dívida crescente e cortes em investimentos

O PNUD aponta que, para honrar compromissos financeiros, governos têm reduzido gastos em áreas críticas. “Estamos vendo uma geração de crianças perdendo acesso à educação e sistemas de saúde colapsando porque o dinheiro está indo para o pagamento de juros e para a compra de armas”, disse Steiner. O relatório revela que os investimentos em educação nos países em desenvolvimento caíram 0,7% do PIB em média desde 2020, enquanto os gastos militares subiram 1,2%.

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Chamado à ação internacional

Steiner pediu uma reforma urgente do sistema financeiro global, incluindo alívio da dívida e novas linhas de crédito para países vulneráveis. “Não podemos continuar pedindo que esses países escolham entre pagar dívidas ou investir no futuro de suas populações”, afirmou. O PNUD estima que, sem medidas, o número de pessoas em situação de pobreza extrema pode aumentar em 50 milhões até 2030.

Exemplos concretos

No Sudão, os gastos militares triplicaram desde o início da guerra civil em 2023, enquanto o orçamento da saúde foi cortado pela metade. No Iêmen, 60% da população não tem acesso a água potável, e o serviço da dívida consome 40% da receita do governo. Já na Ucrânia, embora receba ajuda externa, o custo da reconstrução é estimado em US$ 500 bilhões, valor que compromete investimentos futuros.

Conclusão do relatório

O documento conclui que a atual trajetória é insustentável e que a comunidade internacional precisa agir de forma coordenada. Steiner enfatizou que o desenvolvimento sustentável só será alcançado se houver paz e estabilidade financeira. “Estamos hipotecando o futuro das próximas gerações”, finalizou.

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