Filho contesta versão oficial sobre mortes em incêndio na Espanha
Filho contesta versão oficial sobre mortes em incêndio

O filho de uma das vítimas do incêndio florestal no sul da Espanha contestou as alegações oficiais de que seu pai e outras pessoas ignoraram orientações para permanecer abrigados. Thomas-Wolf Verdonckt, virologista belga, afirmou à Reuters no sábado (11) que os serviços de emergência não forneceram qualquer instrução ao grupo antes do fogo atingir a vila de Bedar, na província de Almeria.

Vítimas encontradas em vale

Stanislas Verdonckt, de 63 anos, estava entre as oito pessoas encontradas mortas em um vale abaixo da região de Paraje el Curato, onde vivia nos arredores de Bedar. O incêndio, o mais letal já registrado na região, deixou 12 mortos no total, principalmente estrangeiros, além de um espanhol. As identidades das vítimas ainda não foram oficialmente confirmadas.

Segundo o filho, a última conversa por telefone ocorreu pouco antes das 21h de quinta-feira (9), enquanto as chamas avançavam sobre a vila montanhosa. “As pessoas que morreram não deixaram de seguir nenhuma ordem porque nenhuma ordem foi dada. Nenhuma informação foi fornecida”, disse Verdonckt. “Elas só começaram a correr quando as chamas já estavam quase sobre elas.”

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Versão das autoridades

As autoridades afirmam que funcionários locais e policiais foram de porta em porta ou telefonaram para moradores para orientar sobre evacuação ou permanência dentro das casas, dependendo da evolução do incêndio. O prefeito de Bedar, Angel Collado, disse que recomendou ao grupo, incluindo Stanislas, que permanecesse abrigado no local.

O governo regional da Andaluzia e a Guarda Civil espanhola não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre o relato de Verdonckt.

Tentativa de fuga

De acordo com o filho, um grupo de vizinhos, incluindo seu pai, tentou inicialmente deixar a região de carro por uma estrada pavimentada na noite de quinta-feira, mas foi bloqueado pelas chamas. “Eles não conseguiram passar pela estrada principal porque não foram avisados com antecedência. Ninguém disse que o incêndio vinha daquela direção”, afirmou.

O grupo então tentou escapar por uma estrada de terra sem saída que contornava a encosta da montanha. Sem conseguir avançar, abandonou os veículos e tentou fugir a pé. “Não foi uma escolha. Eles dirigiram até o fim da trilha e, quando até mesmo ela estava em chamas, algumas pessoas decidiram correr e tentar chegar ao vale”, disse Verdonckt.

Perfil da vítima

Stanislas Verdonckt, fotógrafo e praticante de caminhadas, mantinha uma casa na região havia muitos anos, conhecia bem o terreno e falava espanhol. Durante a última conversa, o filho disse que o pai avaliava alternativas para se proteger. “Meu pai é uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Ele é sempre muito analítico e estava apenas avaliando as opções”, afirmou.

Um vizinho que sobreviveu dentro de casa contou a Verdonckt que as chamas chegaram tão perto da residência que conseguiram tocá-la. Os bombeiros seguem trabalhando para controlar o avanço do fogo.

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