Caiados em Goiás: de 1883 ao poder, sofreram com Vargas e miram o Planalto
Caiados em Goiás: de 1883 ao Planalto

A família Caiado, uma das mais tradicionais da política goiana, está no poder desde 1883, quando o patriarca Antônio Caiado assumiu a presidência da província de Goiás. Desde então, o clã enfrentou a Era Vargas e, agora, com o governador Ronaldo Caiado, mira a Presidência da República em 2026.

Origens do poder: de 1883 ao século XX

O primeiro Caiado a governar foi Antônio Caiado, que presidiu a província entre 1883 e 1884. A família consolidou-se como elite política e econômica, baseada na agropecuária e no coronelismo. Durante a República Velha, os Caiados alternaram-se no poder, mantendo influência sobre o estado.

Em 1930, com a Revolução que levou Getúlio Vargas ao poder, os Caiados sofreram perseguição. Vargas, centralizador, combateu as oligarquias estaduais. Pedro Ludovico Teixeira, rival dos Caiados, foi nomeado interventor em Goiás. A família perdeu espaço, mas nunca desapareceu da cena política.

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Ressurgimento e era moderna

Após a redemocratização, os Caiados retomaram protagonismo. Ronaldo Caiado, neto de Antônio, elegeu-se deputado federal em 1990 e, depois, senador. Em 2018, venceu a eleição para governador de Goiás pelo DEM (atual União Brasil), sendo reeleito em 2022.

Segundo o cientista político Paulo Sérgio Peres, da Universidade Federal de Goiás, "a família Caiado representa a continuidade de uma elite que se adaptou aos ciclos políticos, mantendo-se relevante por mais de um século". Ele destaca que "a capacidade de sobrevivência política dos Caiados é rara no Brasil".

Ronaldo Caiado e a candidatura presidencial

Ronaldo Caiado, 63 anos, é apontado como pré-candidato à Presidência em 2026. Ele tem se posicionado como alternativa de centro-direita, com discurso de gestão fiscal e segurança pública. Pesquisas internas do União Brasil indicam que ele teria entre 8% e 12% das intenções de voto, segundo fontes do partido.

"O governador tem experiência e resultados em Goiás, mas precisa construir viabilidade nacional", afirma o analista político Luís Costa, da consultoria Brasília Análise. "A imagem dos Caiados ainda carrega o estigma de oligarquia, o que pode ser um obstáculo."

Impacto e perspectivas

Se eleito, Ronaldo Caiado seria o primeiro presidente oriundo de uma família com mais de 140 anos de poder ininterrupto em um estado. A candidatura reacende o debate sobre o peso das oligarquias regionais na política nacional.

Para o historiador João Paulo de Oliveira, "a trajetória dos Caiados reflete a formação política do Brasil, onde famílias tradicionais se perpetuam no poder, adaptando-se às mudanças institucionais". Ele lembra que "a Era Vargas tentou quebrar essas oligarquias, mas elas encontraram formas de retornar".

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