A Ferrari Luce, o primeiro modelo elétrico da marca italiana, gerou polêmica no Ocidente por seu design e motorização, mas na China o cenário foi diferente. De acordo com o site Cars News China, todas as 88 unidades disponíveis do veículo foram vendidas em poucos dias após o lançamento no último sábado (27). No entanto, o jornal Beijing Business Today informou que uma concessionária na capital chinesa ainda aceitava pedidos dois dias depois, o que pode indicar que mais unidades foram disponibilizadas ou que nem todas foram comercializadas.
Interesse forte dos chineses
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, confirmou o "forte interesse" dos consumidores chineses pela Luce, revelando que os primeiros depósitos foram feitos logo após a apresentação oficial. O desempenho pode representar uma retomada para a Ferrari no mercado chinês, que viu suas vendas caírem de 1.500 unidades em 2022 para apenas 900 no ano passado. As taxas locais sobre modelos a combustão de alta potência dificultavam as vendas, obstáculo que o novo esportivo elétrico pode contornar.
Concorrência local acirrada
Apesar do bom início, a Ferrari enfrenta um desafio: competir com esportivos elétricos chineses mais baratos e igualmente rápidos. A Luce custa 3.988.000 yuans (cerca de R$ 3,05 milhões), valor muito superior ao do Denza Z9 GT. Seu preço se aproxima de superesportivos como o BYD Yangwang U9 (1,8 milhão de yuans) e o GAC Hyptec SSR (1,2 milhão de yuans). Ambos superam os 1.050 cv da Luce: o Yangwang U9 entrega 1.304 cv, e o Hyptec SSR, 1.223 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h da Ferrari é de 2,5 segundos, contra cerca de 2,3 segundos dos rivais.
O sucesso da Luce na China dependerá mais do prestígio da marca Ferrari do que de números de potência. Em um mercado que já adotou elétricos de luxo, a reputação da fabricante italiana pode ser seu principal diferencial.



