Após mais de três meses de guerra e um acordo para o fim do conflito, os governos dos Estados Unidos e do Irã voltaram a sentar à mesa de negociações neste domingo (21) em Zurique, na Suíça, para tratar do programa nuclear iraniano. O encontro reúne o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e membros do alto escalão de Teerã.
Delegações de alto nível
Vance chegou ao país europeu acompanhado de Jared Kushner, genro de Donald Trump e um dos chefes das negociações com o Irã, e do enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Do lado iraniano, segundo a imprensa estatal, estão o chanceler Abbas Araqchi, o negociador-chefe e presidente do parlamento Mohammad Bagher Qalibaf, e o governador do Banco Central Abdolnaser Hemmati.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse esperar avanços. "Espero que os envolvidos nas negociações consigam fazer o processo avançar com sucesso", afirmou Pezeshkian.
Prazo de 60 dias para acordo
O memorando de entendimento assinado esta semana prevê um prazo de 60 dias para um acordo final focado no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções contra a economia do país. As conversas preparatórias começaram neste domingo. A chancelaria do Irã anunciou para amanhã negociações técnicas entre iranianos e americanos, com a presença de representantes dos países mediadores Catar e Paquistão.
Estreito de Ormuz sob tensão
O porta-voz da diplomacia iraniana alertou os EUA de que o protocolo estará "em risco" se suas cláusulas não forem aplicadas rapidamente, referindo-se à situação no Líbano. O comando militar central do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a ataques de Israel no sul do Líbano, considerando-os violação do acordo com os EUA. A nota afirma que o estreito "será fechado à passagem de navios" e que este "primeiro passo é uma resposta ao descumprimento da promessa por parte do inimigo". Donald Trump ameaçou aplicar um pedágio no estreito caso não haja acordo.
Via importante para o transporte de petróleo e gás, o Estreito de Ormuz foi bloqueado pelo Irã durante boa parte da guerra, abalando os mercados mundiais de energia. Teerã havia concordado em reabri-lo como parte do memorando, e o tráfego marítimo foi retomado gradualmente nos últimos dias.
Cessar-fogo no Líbano em risco
Uma autoridade do Exército de Israel informou que as forças armadas receberam ordem para interromper os combates no sul do Líbano, onde enfrentam o Hezbollah, apesar de um cessar-fogo em vigor. "As FDI receberam diretrizes atualizadas dos níveis políticos para interromper o fogo", disse o funcionário, explicando que as tropas atuam "de forma defensiva dentro da zona de segurança".
A mídia estatal libanesa noticiou ataques aéreos israelenses em cerca de 20 localidades, com mais de 30 mortos. Desde 2 de março, os bombardeios israelenses no Líbano deixaram 4.057 mortos, segundo balanço do Ministério da Saúde libanês. O Exército de Israel relatou a morte de um soldado neste domingo, elevando para cinco o número de militares mortos no Líbano desde o anúncio do memorando. O Hezbollah afirmou que Israel é "totalmente responsável" pelas violações da trégua.



