A primeira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, realizada na Suíça com mediação do Paquistão e do Catar, foi encerrada com um saldo de "progressos encorajadores" em direção a um acordo de paz que se pretende finalizar em até 60 dias. Mediadores relataram que as conversas avançaram em pontos cruciais, mas também destacaram que os negociadores se debruçaram sobre questões que já deveriam ter sido resolvidas em etapas anteriores do diálogo.
Progressos e impasses nas conversas
Segundo fontes diplomáticas, o principal avanço foi a promessa do Irã de readmitir inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares, um passo significativo para retomar a transparência exigida pela comunidade internacional. No entanto, as ambições nucleares iranianas continuam sendo um ponto de atrito, com os EUA exigindo garantias mais robustas de que o programa não terá fins militares. Além disso, os conflitos no Líbano, onde o Irã exerce influência por meio do Hezbollah, foram outro tema espinhoso nas negociações.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que liderou a delegação americana na Suíça, afirmou que as conversas foram "produtivas, mas ainda há um longo caminho pela frente". Ele ressaltou que o objetivo é alcançar um acordo abrangente que ponha fim à guerra no Oriente Médio, mas que "traves e impasses" precisam ser superados. A delegação iraniana, por sua vez, classificou as negociações como "sérias e construtivas", embora tenha protestado contra ameaças feitas pelo ex-presidente Donald Trump, que recentemente sugeriu ações militares contra o Irã.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo inicial, analistas apontam que o cronograma de 60 dias é ambicioso, dadas as décadas de desconfiança entre as partes. O Irã exige o levantamento total das sanções econômicas, enquanto os EUA condicionam qualquer alívio a verificações rigorosas do programa nuclear. A mediação de Paquistão e Catar, ambos com laços históricos com o Irã e os EUA, foi vista como um fator positivo para manter o diálogo em curso.
Nas ruas de Teerã, a notícia das negociações foi recebida com cautela. "Esperamos que desta vez seja diferente, mas já vimos promessas antes", disse um comerciante local à agência de notícias Reuters. Enquanto isso, em Washington, o governo Biden comemorou o avanço, mas alertou que "as negociações ainda podem fracassar se o Irã não cumprir seus compromissos".
A segunda rodada de negociações está prevista para ocorrer em Genebra dentro de duas semanas, com a expectativa de que os mediadores apresentem um rascunho preliminar do acordo. Até lá, a comunidade internacional observa com atenção os próximos passos de Teerã e Washington.



