EUA devem retomar bloqueio ao petróleo do Irã, diz Brookings
EUA devem retomar bloqueio ao petróleo do Irã, diz Brookings

O pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Robin Brooks, defendeu que os Estados Unidos restabeleçam o bloqueio às exportações de petróleo do Irã. Em relatório publicado neste domingo, Brooks argumenta que a suspensão da medida fortaleceu financeiramente Teerã em um momento de novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, dificultando as negociações por um acordo de paz.

Cenário atual reproduz situação pré-bloqueio

Brooks afirma que o cenário atual reproduz a situação observada antes da imposição do bloqueio, quando o Irã restringia a passagem de petroleiros ocidentais enquanto seus próprios navios continuavam exportando petróleo. “Isso simplesmente não faz sentido”, afirmou, acrescentando que a estratégia oferece ao governo iraniano um incentivo para não negociar “de boa-fé”.

Desde a suspensão do bloqueio, o Irã exportou entre 70 milhões e 80 milhões de barris de petróleo, gerando recursos para sustentar suas operações e ampliar a capacidade de pressionar a navegação na região, segundo estimativas do economista. Para Brooks, o bloqueio produz efeitos cumulativos sobre a infraestrutura petrolífera iraniana e, por isso, deveria ser retomado o quanto antes.

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Preço do petróleo e riscos geopolíticos

Na avaliação do ex-economista-chefe do IIF, o Brent, negociado entre US$ 75 e US$ 76 por barril, continua abaixo do intervalo de US$ 80 a US$ 90 que seria compatível com o atual risco geopolítico. Brooks também sugeriu endurecer as restrições ao setor petrolífero iraniano, inclusive impedindo o uso de petroleiros como armazenamento flutuante e ampliando a pressão sobre a infraestrutura de exportação do país.

Perspectivas macroeconômicas

No cenário macroeconômico, Brooks reiterou que o mercado superestima a possibilidade de altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. Ele afirmou esperar desaceleração da inflação ao consumidor (CPI) dos EUA e manteve a avaliação de que, sem novas elevações de juros, o dólar tende a perder força nos próximos meses.

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