Um estudo divulgado pelo serviço de inteligência da Holanda (AIVD) aponta que a China intensificou operações de espionagem e pressão econômica sobre setores estratégicos do país europeu. O relatório, obtido com exclusividade pelo jornal Valor Econômico, revela que Pequim tem como alvo empresas de tecnologia de ponta, infraestrutura crítica e instituições de pesquisa científica.
Setores sob mira
De acordo com o documento, a China busca obter conhecimentos em áreas como semicondutores, inteligência artificial e biotecnologia. A espionagem inclui desde roubo de dados até infiltração de agentes em empresas holandesas. O relatório cita que, nos últimos dois anos, ao menos 12 empresas foram alvo de tentativas de acesso não autorizado a sistemas.
O estudo também destaca a pressão econômica exercida por Pequim, que condiciona investimentos e acordos comerciais à transferência de tecnologia. A Holanda é um dos principais parceiros comerciais da China na União Europeia, com fluxo comercial bilateral de cerca de 50 bilhões de euros em 2025.
Reação do governo holandês
O governo holandês já tomou medidas para reforçar a segurança cibernética e proteger segredos industriais. Em declaração, o ministro da Economia, Micky Adriaansens, afirmou: "Não podemos permitir que nossa inovação seja desviada por práticas ilegais. Vamos intensificar a fiscalização e cooperação com aliados."
O relatório do AIVD recomenda que as empresas holandesas adotem protocolos mais rigorosos de verificação de parceiros e funcionários, além de investir em cibersegurança. A China, por sua vez, nega as acusações, classificando-as como "infundadas e prejudiciais à cooperação bilateral".
Impacto nas relações bilaterais
Especialistas avaliam que o estudo pode gerar tensões diplomáticas entre os dois países. A Holanda, que abriga importantes centros de tecnologia como Eindhoven, tornou-se um alvo prioritário para a inteligência chinesa devido à sua liderança em chips e equipamentos de litografia, essenciais para a indústria global de semicondutores.
O caso também levanta preocupações na União Europeia, que já discute medidas conjuntas para proteger setores estratégicos contra interferências estrangeiras. A Comissão Europeia deve incluir o tema na próxima reunião de cúpula com a China, prevista para setembro.



