Cinco anos após protestos, Cuba enfrenta novo apagão e crise energética
Cuba: 5 anos após protestos, novo apagão e crise

Nesta segunda-feira, 11 de julho de 2026, completam-se cinco anos do início dos protestos populares que sacudiram Cuba em 2021, em meio à escassez de alimentos e remédios agravada pela pandemia de Covid-19. De lá para cá, a crise econômica se intensificou e o país caribenho enfrenta uma grave crise energética. O último apagão geral ocorreu na tarde de sexta-feira (10) e ainda não foi totalmente solucionado, deixando grande parte da ilha às escuras.

Colapso do Sistema Elétrico Nacional

A nova desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN) foi informada pela estatal União Elétrica (UNE) às 16h30 da sexta-feira. O site independente 14YMedio destacou que este foi o quarto colapso do SEN em 2025 e o nono desde outubro de 2024. Embora o governo tenha anunciado a ativação de protocolos de contingência para priorizar o restabelecimento do serviço nos centros vitais, a maior parte do país permanece sem eletricidade.

De acordo com relatórios da UNE, 11 das 16 unidades de geração termoelétrica do país não estavam operando devido a falhas ou manutenção, enquanto a geração distribuída (motores a diesel e óleo combustível) está praticamente paralisada pela falta de combustível.

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Causas apontadas pelo governo

Nas redes sociais, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, atribuiu o novo colapso ao bloqueio dos Estados Unidos. "A nova desconexão do SEN evidencia as consequências do castigo coletivo imposto pelo governo dos Estados Unidos contra o povo cubano", escreveu. "Trata-se de uma consequência direta do cerco energético e do recrudescimento extremo do bloqueio econômico, comercial e financeiro que o governo dos Estados Unidos mantém contra Cuba há quase sete décadas."

Parrilla lembrou que o país passou praticamente quatro meses sem receber combustível, até a chegada de uma doação da Rússia de cerca de 100 mil toneladas de petróleo cru. No entanto, essas reservas já se esgotaram, deixando o sistema novamente em situação extrema. "A geração elétrica depende hoje fundamentalmente do gás associado produzido no país e do petróleo nacional, enquanto as termoelétricas operam com forte desgaste tecnológico e escassez de peças de reposição, também resultado do cerco."

Os protestos de 2021 e suas consequências

Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram às ruas na maior manifestação nacional contra o governo desde a Revolução Cubana de 1959. O governo reagiu com forte repressão e prisões. O grupo cubano de direitos humanos Cubalex informa que mais de 1.400 pessoas foram detidas na ocasião, e mais de 700 ainda permanecem presas.

Um relatório da Human Rights Watch mostrou que policiais detiveram sistematicamente pessoas que protestavam pacificamente, prenderam críticos a caminho das manifestações ou os proibiram de deixar suas casas por dias ou semanas. Muitos detidos foram mantidos incomunicáveis por dias, semanas ou meses, sem acesso a telefone ou visitas de familiares ou advogados. Alguns foram espancados, forçados a agachar-se nus ou submetidos a maus-tratos, incluindo privação de sono e outros abusos que constituem tortura.

Mais de 380 manifestantes e transeuntes, incluindo adolescentes, foram processados e sentenciados, muitos em tribunais militares, violando o direito internacional. Muitos foram condenados por "sedição" a penas de até 25 anos de prisão, com base em evidências não confiáveis, como declarações exclusivas de agentes de segurança ou supostos "vestígios de odor" de pedras. As vítimas e suas famílias relataram assédio sistemático por forças de segurança, levando alguns a deixar o país.

Mudanças econômicas e legais

Após os protestos, o governo não realizou amplas reformas econômicas ou políticas, mas permitiu o avanço de pequenas e microempresas. Por outro lado, endureceu as leis contra manifestações, inclusive nas redes sociais. Somente em junho de 2026, o Parlamento de Cuba aprovou um conjunto de medidas voltadas ao livre mercado, permitindo empresas privadas com mais de 100 empregados, capital estrangeiro no setor privado e contas em moeda estrangeira, numa tentativa de atrair investimentos externos.

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