Cruzeiro LGBTQ+ é proibido de atracar no Egito após ser barrado na Turquia
Cruzeiro LGBTQ+ barrado no Egito e Turquia

O cruzeiro temático LGBTQ+ Scarlet Lady, operado pela Virgin Voyages, foi impedido de atracar no Egito na segunda-feira (9), apenas dias após ter sua entrada barrada na Turquia. A embarcação, que transporta cerca de 2 mil passageiros, teve a autorização para desembarcar em Alexandria revogada de última hora pelas autoridades egípcias, sem explicação oficial.

Decisão surpreende organizador após 36 anos de operação

Rich Campbell, da Atlantis Events, empresa organizadora do cruzeiro, afirmou que a situação é inédita em 36 anos de operação. "Nunca tivemos um porto que nos rejeitasse dessa forma", declarou Campbell. O navio, que partiu de Atenas, na Grécia, já havia sido recusado na Turquia na semana anterior, forçando uma alteração na rota.

Comunidade LGBTQ+ enfrenta restrições no Egito e Turquia

Tanto o Egito quanto a Turquia são países onde a comunidade LGBTQ+ enfrenta estigma social e restrições legais. No Egito, a homossexualidade não é explicitamente criminalizada, mas leis contra a "libertinagem" e a "imoralidade" são frequentemente usadas para prender e processar pessoas LGBTQ+. Na Turquia, a homossexualidade é legal, mas o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan tem promovido discursos conservadores que alimentam a discriminação.

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Em 2024, a Turquia registrou um aumento de 40% nos ataques contra a comunidade LGBTQ+ em comparação com o ano anterior, segundo relatórios de direitos humanos. O Egito, por sua vez, tem intensificado a repressão a eventos e organizações LGBTQ+ nos últimos anos.

Rota alternativa para Montenegro

Com a recusa em Alexandria, o Scarlet Lady seguiu para o porto de Kotor, em Montenegro, onde o desembarque foi autorizado. Montenegro é considerado um destino mais acolhedor para a comunidade LGBTQ+ na região dos Bálcãs, embora ainda enfrente desafios de aceitação social.

O incidente gerou críticas de grupos de direitos humanos, que acusam os governos egípcio e turco de discriminação. "É uma vergonha que, em pleno século XXI, um navio seja rejeitado simplesmente por causa da orientação sexual de seus passageiros", afirmou um porta-voz da Human Rights Watch.

Impacto no turismo e na comunidade LGBTQ+

A Atlantis Events planeja buscar esclarecimentos formais das autoridades egípcias e turcas. Enquanto isso, o cruzeiro continua sua viagem, que inclui paradas em outros portos do Mediterrâneo. A empresa afirmou que está avaliando mudanças permanentes em suas rotas para evitar futuros incidentes.

O caso destaca os desafios contínuos enfrentados pela comunidade LGBTQ+ em regiões conservadoras, mesmo em contextos turísticos. A indústria de cruzeiros tem se tornado cada vez mais inclusiva, mas a aceitação varia drasticamente entre os países.

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