Um estudo inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), obtido com exclusividade pelo GLOBO, revela que a cocaína já é a sexta commodity mais valiosa da Amazônia Legal, superando produtos tradicionais como o ouro e animais vivos. O valor do entorpecente apreendido na região supera o de mercados locais consolidados, indicando uma distorção econômica provocada pelo crime organizado.
Cocaína como commodity regional
De acordo com a pesquisa, o faturamento das quadrilhas com o tráfico de cocaína na Amazônia Legal pode ser inferior apenas ao da soja, tornando a droga o sexto produto mais valioso da região. O estudo aponta que a cocaína já gera lucro superior ao do ouro, historicamente um dos principais minérios extraídos na área. "A cocaína se consolidou como uma commodity ilegal que rivaliza com setores legais da economia amazônica", afirmou um dos pesquisadores do FBSP.
Facções e cartéis dominam a região
O tráfico na região é impulsionado por facções criminosas como o Comando Vermelho (CV), que se tornou hegemônico em áreas como Tabatinga, no Amazonas. Cartéis internacionais também atuam na rota, usando a floresta como corredor para envio de drogas à Europa e África. A presença desses grupos cria uma governança criminosa que desafia o poder público e distorce os mercados locais.
Alta exposição ao crime organizado
Dos 772 municípios da Amazônia Legal, 170 estão sob alta exposição ao crime organizado, afetando diretamente 23% da população da região. Essas áreas concentram os maiores índices de violência e controle territorial por facções. "O crime organizado não apenas trafica drogas, mas também exerce influência sobre economias locais, como comércio e serviços", destacou o estudo.
Impactos econômicos e sociais
A superação do ouro pela cocaína como commodity mais valiosa reflete o enfraquecimento de setores legais e o fortalecimento do narcotráfico. Enquanto a mineração de ouro enfrenta fiscalização e queda de preços, o tráfico de cocaína se beneficia da demanda global e da falta de controle estatal. O estudo alerta que, sem políticas integradas de segurança e desenvolvimento, a economia criminosa continuará a crescer, aprofundando desigualdades e violência na Amazônia Legal.



