Colapso da Ciudad Hugo Chávez: como a utopia virou ruína
Ciudad Hugo Chávez: da utopia ao colapso total

O sonho socialista que virou pesadelo

A Ciudad Hugo Chávez, um conjunto habitacional construído pelo governo venezuelano para homenagear o falecido líder, entrou em colapso total. O que era para ser um símbolo do socialismo do século XXI tornou-se um retrato da crise que assola o país.

Falta de serviços básicos e abandono

Os moradores enfrentam escassez de água potável e cortes constantes de energia elétrica. As áreas comuns estão tomadas pelo lixo e o esgoto corre a céu aberto. Segundo a ONG Transparência Venezuela, cerca de 70% dos apartamentos estão abandonados ou ocupados irregularmente.

"Aqui não tem mais governo. A gente vive por conta própria, cada um por si", relata María López, moradora há oito anos. Ela conta que a água chega uma vez por semana e a luz falta por até 12 horas seguidas.

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Infraestrutura degradada e violência

As obras, que deveriam incluir escolas, postos de saúde e áreas de lazer, nunca foram concluídas. O concreto aparente e as ferragens expostas são cenário comum. A violência também cresceu: roubos e assassinatos são frequentes, e a polícia raramente aparece.

Dados do Observatório Venezuelano de Violência indicam que a taxa de homicídios na região dobrou nos últimos três anos. O complexo, que deveria abrigar 20 mil famílias, hoje tem menos da metade disso vivendo em condições precárias.

O legado de Chávez em ruínas

Inaugurada em 2013, a Ciudad Hugo Chávez foi uma das obras mais ambiciosas do governo chavista. A promessa era de moradia digna para os mais pobres. No entanto, falta de manutenção e a crise econômica transformaram o local em um símbolo do fracasso.

Especialistas apontam que a má gestão e a corrupção foram os principais fatores. "O projeto foi pensado como propaganda, não como solução habitacional. Não houve planejamento para sustentabilidade", afirma o urbanista Carlos Méndez, da Universidade Central da Venezuela.

Moradores improvisam soluções

Sem ajuda do Estado, os residentes criaram comitês informais para tentar reparar bombas d'água e geradores. Alguns vendem água de caminhões-pipa por preços elevados. A desesperança toma conta. "Não vejo futuro aqui. Quem pode, vai embora", desabafa José García, pai de três filhos.

O governo de Nicolás Maduro não se pronunciou sobre a situação. A Ciudad Hugo Chávez segue como um monumento ao que poderia ter sido e ao que deu errado na Venezuela.

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