O governo chinês anunciou nesta quinta-feira a abertura de uma investigação sobre as exportações de hélio, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. A medida visa avaliar possíveis riscos ao abastecimento interno do gás, essencial para setores como tecnologia, saúde e defesa.
Motivações estratégicas
Segundo o Ministério do Comércio da China, o inquérito busca mapear a cadeia de fornecimento global de hélio e identificar vulnerabilidades. O país é o terceiro maior consumidor mundial do gás, mas depende de importações para atender cerca de 40% de sua demanda. As tensões no Oriente Médio, especialmente a possibilidade de interrupção de rotas marítimas, acenderam alertas em Pequim.
"Precisamos garantir que nossas indústrias de semicondutores, ressonância magnética e exploração espacial não sejam afetadas por choques externos", afirmou Li Qiang, porta-voz do Ministério, em entrevista coletiva. A investigação deve durar seis meses e poderá resultar em restrições temporárias ou cotas de exportação.
Impacto no mercado global
A China responde por aproximadamente 12% das exportações mundiais de hélio, segundo dados da Associação Internacional de Gases Industriais. Especialistas temem que a medida chinesa possa elevar os preços internacionais, que já subiram 25% nos últimos trimestres devido à redução da produção nos EUA e no Catar.
"Qualquer movimento de Pequim nesse sentido terá repercussões imediatas no mercado spot", disse Maria Santos, analista da consultoria GasWorld. "O hélio é um gás crítico para a fabricação de chips e para a medicina diagnóstica, e a oferta global já está apertada."
Contexto geopolítico
As tensões entre EUA e Irã se intensificaram após ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico, elevando o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do hélio produzido no Oriente Médio. A China, que mantém relações comerciais com Teerã, busca se antecipar a uma eventual crise.
A investigação chinesa ocorre também em meio a disputas comerciais com Washington, que recentemente impôs restrições à exportação de equipamentos de liquefação de gás para Pequim. Analistas veem a medida como um movimento preventivo para fortalecer a autonomia estratégica do país.



