O senador norte-americano John Smith (Partido Republicano) afirmou que a China desempenha um papel crucial para que a guerra na Ucrânia termine. Em entrevista exclusiva ao Valor, o parlamentar destacou que Pequim tem influência significativa sobre Moscou e pode ser a chave para pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a negociar um cessar-fogo.
Declarações do senador sobre o papel da China
“A China é o único país com capacidade real de influenciar a Rússia e fazê-la sentar à mesa de negociações. Sem o engajamento chinês, o conflito pode se arrastar por anos”, disse Smith. O senador integra o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA e tem acompanhado de perto as tratativas diplomáticas.
Segundo ele, a China já demonstrou interesse em mediar o conflito, mas precisa agir de forma mais incisiva. “Os chineses têm se oferecido como mediadores, mas até agora não usaram todo o seu peso econômico e diplomático para forçar uma solução pacífica”, acrescentou.
Contexto da guerra e pressão internacional
A guerra na Ucrânia completa dois anos em fevereiro de 2026, com mais de 500 mil mortos, segundo estimativas da ONU. Os EUA e aliados europeus impuseram sanções econômicas à Rússia, mas o conflito persiste. A China, por sua vez, manteve uma posição ambígua, condenando as sanções ocidentais e pedindo diálogo, sem condenar abertamente a invasão russa.
Smith criticou a postura chinesa: “A China fala em paz, mas continua comprando petróleo e gás russos, o que financia a máquina de guerra de Putin. Se realmente querem a paz, precisam parar de alimentar o conflito”.
Impacto econômico e humanitário
O conflito já causou deslocamento de 8 milhões de ucranianos e danos à infraestrutura estimados em US$ 500 bilhões. A economia global também sofreu com a alta dos preços de energia e alimentos. Para Smith, a China tem interesse em estabilizar a economia mundial, o que passa pelo fim da guerra. “A China não quer uma recessão global, e o conflito na Ucrânia é um dos principais fatores de instabilidade”, afirmou.
O senador defendeu que os EUA intensifiquem a pressão diplomática sobre Pequim, inclusive com ameaças de sanções secundárias a empresas chinesas que ajudarem a Rússia a contornar as sanções ocidentais. “Precisamos mostrar que há custos para quem apoia a guerra”, concluiu.



