A China reafirmou seu apoio ao Brasil contra o protecionismo dos Estados Unidos, que recentemente impôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita por autoridades chinesas em meio à escalada de tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Brasil perto de esgotar cota de carne bovina para a China
Enquanto isso, o Brasil está próximo de esgotar sua cota de exportação de carne bovina para a China, atualmente fixada em 200 mil toneladas anuais. O governo brasileiro tenta negociar uma ampliação da cota para evitar a aplicação de uma tarifa chinesa de 55% sobre o excedente. Segundo fontes do Ministério da Agricultura, as exportações de carne bovina para a China cresceram 15% neste ano, impulsionadas pela demanda aquecida.
Impacto das tarifas dos EUA no comércio bilateral
A nova tarifa americana de 25% afetou setores como aço, alumínio e produtos agrícolas brasileiros. Em contrapartida, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% nos últimos meses, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. O governo chinês destacou a importância de proteger o comércio multilateral e criticou as medidas protecionistas unilaterais.
"A China está disposta a trabalhar com o Brasil e outros países para defender o sistema multilateral de comércio e combater o protecionismo", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, em entrevista coletiva.
Negociações em andamento
O Brasil busca um acordo para aumentar a cota de carne bovina antes que ela se esgote, o que deve ocorrer nas próximas semanas. Se a cota for ultrapassada, a tarifa de 55% será aplicada automaticamente, tornando o produto brasileiro menos competitivo. O governo brasileiro também negocia com os EUA uma redução das tarifas, mas até o momento não há avanços concretos.
Especialistas apontam que a guerra comercial entre EUA e China tem criado oportunidades para o Brasil, mas também riscos. "O Brasil precisa equilibrar suas relações comerciais para não ficar dependente de um único parceiro", avaliou o economista Carlos Alberto de Oliveira, da FGV.



