A Exposição Internacional Budista de Seul atraiu um número recorde de 250 mil pessoas este ano, segundo dados oficiais. Do total de visitantes, dois terços tinham entre 14 e 29 anos e metade não se declarava religiosa. O evento, que ocorre anualmente, tem se tornado um fenômeno de público, impulsionado pela adoção de elementos da cultura pop sul-coreana, como K-pop, dramas e games, para divulgar a tradição budista.
Budismo e cultura pop: uma ponte com a juventude
A estratégia de aproximação incluiu apresentações de grupos de K-pop em templos, aplicativos de meditação com design moderno e a criação de personagens budistas para jogos mobile. "Muitos jovens vêm por curiosidade e acabam se interessando pelos ensinamentos", disse o monge Jeonghye, organizador do evento, em entrevista à AFP. "Eles se identificam com a estética e a mensagem de paz interior."
Críticas e controvérsias
Nem todos, porém, veem a tendência com bons olhos. Críticos apontam que a abordagem pode ser "tendência passageira", superficial e desvirtuar a essência religiosa. "Há o risco de o budismo se tornar um produto de consumo descartável", afirmou a professora de estudos religiosos Kim Soo-yeon, da Universidade de Seul. "A geração Z busca experiências, não compromisso."
Impacto e futuro
Apesar das críticas, o movimento tem revitalizado templos e aumentado o número de jovens em retiros espirituais. Dados do Conselho Budista Coreano mostram que a participação de jovens em atividades religiosas cresceu 30% nos últimos dois anos. A exposição deste ano, realizada em maio, contou com 120 estandes e palestras de monges influencers, além de espaços instagramáveis. "Não estamos tentando converter ninguém, apenas mostrar que o budismo pode ser relevante hoje", concluiu Jeonghye.



