OMS alerta: sistema de saúde da Venezuela está caótico após terremotos
OMS: sistema de saúde da Venezuela está caótico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira (30) que os serviços médicos na Venezuela estão sobrecarregados e a situação é caótica, seis dias após os terremotos que devastaram o país. Centenas de caixões foram empilhados ao lado de construções destruídas, e o porto de La Guaira, principal porta de entrada marítima, agora funciona como necrotério improvisado.

Número de mortos e riscos sanitários

Nesta terça-feira, o governo venezuelano atualizou o número de mortos para 1.943. A OMS alertou que milhares de venezuelanos podem enfrentar fome e o risco de doenças como dengue e febre amarela. O sistema de saúde opera no limite: segundo a OMS, os terremotos danificaram a estrutura de nove hospitais, que tiveram que reduzir ou suspender os atendimentos. Em muitos centros clínicos, o cenário é de caos. Além disso, há médicos e enfermeiros entre os milhares de desaparecidos.

Ajuda internacional e hospital de campanha brasileiro

Para ajudar na resposta ao desastre, a Marinha brasileira montou um hospital de campanha com capacidade para atender 150 pessoas por dia em La Guaira. A comandante Marisa Martins, diretora do hospital, afirmou: "Tem um desabastecimento importante porque elas perderam suas casas. Consequentemente, perderam tudo que tinham dentro. Não têm mais remédios para tomarem, não tem mais isso. Vemos, também, traumas: entorses, fraturas, pequenos traumas decorrentes do desabamento, da correria para fugir."

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Nesta terça-feira, a Força Aérea brasileira enviou o quinto voo humanitário com mais de cinco toneladas de suprimentos médicos e estrutura para ampliar o hospital. No total, serão 100 militares na Venezuela, entre fuzileiros navais e profissionais de saúde, além de 71 bombeiros brasileiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná que ajudam nas buscas por sobreviventes. Quatro técnicos da Defesa Civil também participam das operações. O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, visitou as equipes na linha de frente e, em Caracas, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Solidariedade global

Pelo menos 30 países enviaram ajuda à Venezuela, e mais de 3,6 mil socorristas estrangeiros estão no país. Os Estados Unidos enviaram mais de 300, além de navios, aeronaves e caminhões que podem ser usados como ambulância.

Histórias de sobreviventes e resgates

Yulis é mãe de Anderson, de 21 anos. Ele morava nos Estados Unidos, trabalhava na construção civil e sustentava a família. Em situação irregular, foi detido pela imigração e deportado para a Venezuela na quarta-feira (24). O avião pousou em Caracas sete horas antes dos terremotos. Anderson passou quase dois dias soterrado. Agora, está entubado e teve as duas pernas amputadas.

Socorristas de El Salvador vasculhavam um prédio quando ouviram latidos no meio dos destroços. A equipe conseguiu resgatar um filhote que estava preso. Em Caracas, bombeiros da Jordânia passaram horas até conseguirem resgatar um menino de 3 anos. Ele sobreviveu preso nos escombros por seis dias e agora se recupera no hospital.

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