Os mercados acionários da Ásia registraram ganhos em sua maioria nesta quarta-feira, impulsionados por dados de inflação mais fracos nos Estados Unidos, que renovaram as esperanças de cortes nos juros pelo Federal Reserve. A exceção foi a China, que fechou em baixa, pressionada por indicadores econômicos domésticos decepcionantes.
Inflação americana mais branda impulsiona mercados
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,1% em junho na comparação mensal, abaixo da expectativa de 0,2%. Na base anual, a inflação ficou em 3,0%, contra 3,1% esperado. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, também veio abaixo do previsto. "Os dados de inflação mais fracos reforçam a visão de que o Fed pode começar a cortar juros já em setembro", afirmou o economista-chefe do Bank of America, Michael Gapen, em nota a clientes.
Índices asiáticos: maioria em alta
O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,2%, impulsionado por ações de tecnologia e exportadoras, com o iene enfraquecido. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,9%, acompanhando o otimismo global. O índice Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,7%, sustentado por papéis de tecnologia. Já o S&P/ASX 200 australiano ganhou 0,5%, com ganhos no setor financeiro.
China na contramão: dados fracos pesam
Em contraste, o índice Xangai Composto caiu 0,4%, e o Shenzhen Component recuou 0,6%. A China divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 4,7% em relação ao ano anterior, bem abaixo da meta oficial de 5% e das expectativas de 5,1%. "Os números do PIB chinês mostram que a recuperação econômica ainda é frágil, e o mercado está preocupado com a falta de estímulos concretos do governo", disse Zhang Zhiwei, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.
Perspectivas para os mercados globais
Analistas avaliam que o cenário de inflação mais amena nos EUA pode beneficiar ativos de risco globalmente, mas a desaceleração chinesa continua sendo um ponto de atenção. "O mercado está dividido entre o otimismo com o Fed e a cautela com a China. A tendência de curto prazo dependerá dos próximos dados econômicos", afirmou Wei Li, estrategista global do BlackRock.



