Açúcar encontrado no espaço pela primeira vez perto do centro da Via Láctea
Açúcar no espaço: descoberta perto do centro da Via Láctea

Pela primeira vez, cientistas detectaram açúcar no espaço interestelar, fornecendo uma pista importante sobre as origens do açúcar na Terra e, possivelmente, sobre o surgimento da vida no planeta. A descoberta foi publicada na revista Nature Astronomy e identificou a molécula eritrulose, um tipo de açúcar, perto do centro da Via Láctea.

Detalhes da descoberta

A equipe de pesquisa, liderada por astrônomos do Instituto Max Planck de Radioastronomia, na Alemanha, utilizou o radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), localizado no Chile, para observar a região central da nossa galáxia. Eles encontraram sinais de eritrulose em uma nuvem molecular conhecida como Sagitário B2, uma das maiores e mais ativas regiões de formação estelar da Via Láctea.

A eritrulose é um açúcar de quatro carbonos, relacionado à eritrose, que é um intermediário importante no metabolismo de muitos organismos. A detecção foi feita por meio da análise de emissões de rádio específicas da molécula, que vibram em frequências características.

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Implicações para a origem da vida

Os cientistas acreditam que a presença de açúcares no espaço interestelar pode ser crucial para entender como os blocos de construção da vida chegaram à Terra primitiva. Açúcares são componentes essenciais do RNA e do DNA, as moléculas que armazenam e transmitem informação genética. A ribose, por exemplo, é um açúcar de cinco carbonos que forma a espinha dorsal do RNA.

"Esta descoberta sugere que açúcares podem se formar no meio interestelar e, posteriormente, ser incorporados a sistemas planetários como o nosso", afirmou o Dr. Javier Martín-Pintado, coautor do estudo, em comunicado. "Isso oferece uma pista importante sobre como moléculas prebióticas podem ter surgido na Terra."

Busca por moléculas mais complexas

A detecção de eritrulose abre caminho para a busca por moléculas de açúcar mais complexas, como a ribose e a desoxirribose, que são diretamente relevantes para a vida como a conhecemos. Até agora, essas moléculas não foram encontradas no espaço, mas os cientistas esperam que telescópios mais sensíveis, como o futuro Extremely Large Telescope (ELT), possam ajudar nessa busca.

"A eritrulose é um passo intermediário importante", explicou a Dra. Marta González, primeira autora do artigo. "Se conseguirmos detectar ribose no espaço, isso seria um forte indicador de que os ingredientes para a vida podem ser comuns no Universo."

Contexto e significado

A descoberta foi recebida com entusiasmo pela comunidade científica. Embora moléculas orgânicas simples, como formaldeído e metanol, já tenham sido detectadas no espaço, esta é a primeira vez que um açúcar é encontrado no meio interestelar. Anteriormente, açúcares haviam sido identificados em meteoritos, mas sua origem era incerta.

"Esta é uma peça fundamental no quebra-cabeça da origem da vida", disse o Dr. Víctor Rivilla, coautor do estudo. "Ela mostra que o espaço não é apenas um vazio estéril, mas um verdadeiro laboratório químico onde moléculas complexas podem se formar."

A pesquisa também tem implicações para a busca por vida extraterrestre. Se açúcares podem se formar em nuvens moleculares e serem incorporados a planetas recém-formados, então os ingredientes para a vida podem estar disponíveis em muitos sistemas planetários na galáxia.

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