Professores filiados à Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) no México encerraram uma greve de 20 dias após firmarem um acordo parcial com o governo federal. A paralisação, que começou em 1º de junho de 2026, mobilizou milhares de docentes na Cidade do México e em outros estados, exigindo aumento salarial, revogação de reformas previdenciárias e melhores condições de trabalho.
Concessões obtidas
O acordo, anunciado na quinta-feira (20), incluiu um bônus salarial único de 5 mil pesos mexicanos (cerca de R$ 1.400) por professor, além da recontratação de aproximadamente 3 mil docentes que haviam sido demitidos nos últimos anos. O governo também se comprometeu a abrir mesas de negociação sobre a carga horária e a infraestrutura escolar.
Segundo o líder sindical Juan Martínez, “conseguimos avanços importantes, mas a luta continua. As reformas que prejudicam nossa aposentadoria e a privatização do ensino ainda estão em vigor”. A CNTE representa cerca de 200 mil professores em todo o país, sendo a maior força sindical da educação básica mexicana.
Reivindicações não atendidas
Apesar do fim da greve, as demandas centrais do movimento não foram resolvidas. Os professores exigem a revogação da reforma previdenciária de 2023, que elevou a idade mínima para aposentadoria de 55 para 60 anos e reduziu o valor dos benefícios. Também pedem o cancelamento de uma reforma educacional que, segundo eles, favorece a privatização e a precarização do trabalho docente.
“Não podemos aceitar que o ensino público seja tratado como mercadoria. Vamos continuar mobilizados, com assembleias e protestos, até que o governo atenda nossas pautas principais”, afirmou María López, professora da rede estadual de Oaxaca.
Impactos dos protestos
Durante os 20 dias de greve, os professores realizaram marchas que bloquearam vias importantes da Cidade do México, como a Avenida Reforma e o Zócalo. Em alguns dias, os protestos coincidiram com jogos da Copa do Mundo de 2026, que o México co-sedia, gerando tensão com as autoridades. O governo chegou a mobilizar a polícia para liberar as ruas, mas não houve confrontos graves.
De acordo com a Secretaria de Educação Pública, a greve afetou cerca de 1,5 milhão de alunos em todo o país, principalmente nos estados de Oaxaca, Chiapas, Guerrero e Michoacán, onde a CNTE tem maior força. Escolas permaneceram fechadas e aulas foram suspensas.
Próximos passos
A CNTE prometeu manter a mobilização, com novas assembleias regionais e uma grande marcha nacional marcada para 15 de julho. O sindicato também planeja intensificar o lobby no Congresso mexicano para pressionar pela revogação das reformas.
O governo, por sua vez, classificou o acordo como “um passo importante para o diálogo”, mas não se comprometeu a reabrir a negociação sobre as reformas estruturais. Analistas políticos apontam que a greve expõe a insatisfação crescente no setor educacional, que enfrenta cortes orçamentários e desvalorização profissional.



