Os terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana, com magnitude de 7,3 e 6,8 na escala Richter, deixaram um rastro de destruição e morte. Segundo balanço oficial divulgado neste sábado (27), são 1.430 mortos confirmados, mais de 4.000 feridos e ao menos 200 mil desabrigados. As regiões mais afetadas são os estados de La Guaira, Miranda, Sucre e o Distrito Capital.
Primeiro grande desafio para Delcy Rodríguez
A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após a queda de Nicolás Maduro em maio, enfrenta agora sua maior crise. Em visita a La Guaira, uma das áreas mais devastadas, Delcy afirmou: "Estamos mobilizando todos os recursos disponíveis para atender a população. Este é um momento de união nacional e solidariedade internacional."
A tragédia ocorre em um contexto político delicado. A legitimidade de Delcy é questionada pela oposição e por parte da comunidade internacional, que consideram o processo de transição como inconcluso. As eleições presidenciais, originalmente previstas para setembro, foram adiadas por tempo indeterminado.
Relação com os EUA em teste
Os Estados Unidos, que reconheceram Delcy como presidente interina após a queda de Maduro, enviaram uma equipe de 50 especialistas em desastres e 20 milhões de dólares em ajuda humanitária. No entanto, a oposição venezuelana critica a lentidão da resposta. O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, declarou: "Estamos comprometidos em ajudar o povo venezuelano, mas a responsabilidade primária pela reconstrução é do governo local."
A ajuda americana, embora significativa, é considerada insuficiente diante da magnitude da catástrofe. A economia venezuelana, já fragilizada por anos de crise, sofreu novo golpe com a destruição de infraestrutura vital, como estradas, hospitais e usinas elétricas.
Impactos humanitários e econômicos
As réplicas dos terremotos continuam a assustar a população, que dorme ao relento em muitas áreas. Hospitais estão superlotados e faltam medicamentos, alimentos e água potável. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou para o risco de surtos de doenças como cólera e dengue.
No plano econômico, as perdas são estimadas em 15 bilhões de dólares, segundo o Banco Central da Venezuela. A produção de petróleo, principal fonte de divisas, foi interrompida em várias refinarias. O governo interino anunciou um plano emergencial de reconstrução, mas sem detalhar fontes de financiamento.
Futuro político incerto
Analistas apontam que a crise pode tanto fortalecer quanto enfraquecer Delcy. Se conseguir gerir a ajuda internacional e coordenar a reconstrução, pode ganhar legitimidade. Caso contrário, a pressão por novas eleições pode aumentar. O líder opositor Juan Guaidó, exilado nos EUA, pediu a formação de um governo de unidade nacional.
Enquanto isso, a população sofre. María López, moradora de La Guaira que perdeu sua casa, disse à AFP: "Precisamos de ajuda, não de política. Meus filhos estão com fome e medo."



