A cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira, protagonizou um dos momentos mais marcantes da segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins ao surgir da alegoria Kamara e realizar sua evolução na arena ao som da toada oficial do item. A apresentação levou à arena a cosmologia Hixkaryana, povo indígena que habita as regiões dos rios Nhamundá e Jatapu.
Alegoria Kamara: força espiritual e lenda da onça mãe
A imponente estrutura cenográfica, assinada pelo artista Marlon Brandão e sua equipe, retratou a força espiritual da floresta e a lenda de Kamara, a onça mãe, que surgiu a partir do sopro primordial Yuxib para modelar o mundo, as montanhas, as árvores e o céu antes da própria existência do tempo. Isabelle surgiu do coração da estrutura que representa os mistérios e os pactos de equilíbrio da floresta.
Performance e simbolismo dos Kamarayana
Em seguida, iniciou sua evolução como Cunhã-Poranga em uma performance de grande impacto visual, incorporando a garra, a agilidade e o misticismo dos Kamarayana, conhecidos como o "povo onça". A dança traduziu a mensagem ancestral de Kamara: a de que todos os seres da natureza possuem voz, memória e espírito, e que a onça ancestral permanece como a guardiã eterna dos ciclos da vida, manifestando-se nas tempestades para proteger a harmonia da floresta.
Garantido na busca pelo título
Na segunda noite de espetáculo na arena, o Boi Garantido dá continuidade ao seu projeto folclórico exaltando os mitos profundos da Amazônia, transformando a ancestralidade indígena e os ensinamentos dos povos originários no pilar de sua busca pelo título. A segunda noite alegoria do Garantido representa a Lenda Amazônica "Kamara", inspirada na cosmologia do povo Hexkaryana, que habita as bacias dos rios Nhamundá e Jatapu, narrando a criação do mundo a partir de Yuxibu e o surgimento de Kamara, a onça-mãe espiritual.



